De 20% a 60%. Petrolíferas em queda livre após crash no barril de petróleo

Arábia Saudita provocou crash no mercado depois de anunciar que vai acelerar produção. Com petróleo a afundar 30%, também as companhias do setor estão em queda livre. A britânica Tullow caiu 60%.

Com o preço do barril de petróleo em queda livre, como há muito não se via, também as companhias do setor estão sob forte pressão vendedora esta manhã. Isto acontece depois de a Arábia Saudita ter aberto “guerra” à Rússia com o anúncio de que vai inundar o mercado com a matéria-prima, que provocou um crash como em 1992 (Guerra do Golfo). Em Lisboa, a Galp Energia chegou a tombar 25% nas primeiras horas de negociação. Houve desempenhos piores. Por exemplo, a britânica Tullow Oil chegou a afundar quase 60%.

“Selvagem é um eufemismo”, dizia Chris Brankin, da TD Ameritrade. O analista comentava à Reuters a reação dos investidores ao anúncio saudita de que vai aumentar a produção de barris de petróleo, após a OPEP não ter chegado a um acordo com a Rússia no sentido de limitar a produção para estabilizar o mercado em virtude do impacto coronavírus na economia mundial.

O barril de petróleo chegou a cair mais de 30% após se conhecer a posição dos sauditas, que são os segundos maiores produtores atrás dos EUA. Os analistas dizem que o trambolhão poderá não ficar por aqui, com o Goldman Sachs a ver o barril de petróleo a ceder até aos 20 dólares.

As companhias petrolíferas foram apanhadas no meio desta “guerra”. Com o petróleo mais barato, as margens do negócio reduzem-se drasticamente. Haverá casos em que se torna economicamente inviável a exploração petrolífera tendo em conta o preço a que se vai vender o barril no mercado. Produzir nos EUA ou Arábia Saudita não custa o mesmo que produzir no Brasil ou Reino Unido. Há companhias mais expostas do que outras. O risco é diferente. E isso também tem reflexos.

Petrolíferas em queda livre

Fonte: Reuters

No PSI-20, a Galp chegou a tombar 24,8% logo na abertura da bolsa. A meio da manhã já estava a pressão sobre a petrolífera nacional estava a aliviar, com os títulos a caírem “apenas” 14,3% para 9,84 euros.

“Apenas” porque os pares europeus registaram perdas bem mais acentuadas. A britânica Tullow Oil viu-se a perder 57,4% do seu valor em bolsa esta manhã. Já só perdia 31,6% há momentos. A Subsea perdeu 38,1% para 48 coroas norueguesas. Também da Noruega, a Aker BP afundou 31,5% para 140,55 coroas norueguesas.

Também a sueca Lundin Petroleum e a britânica BP chegaram a perder quase um terço do seu valor, tendo registado baixas de quase 30%. A italiana ENI registou um mínimo nos 8,02 euros, quando estava a perder 21,6%. Recuperou um pouco entretanto, estando a negociar nos 8,615 euros.

O índice Stoxx Europe 600 Oil&Gas, que integra as maiores companhias energéticas europeias, registou uma quebra de 15%.

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