BCE dá dinheiro à banca, compra 120 mil milhões em dívida. Bolsas caem 10%

Banco Central Europeu não anunciou mudanças nos juros após a reunião do Conselho de Governadores. A presidente Christine Lagarde vai explicar a decisão em conferência de imprensa.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou um pacote de medidas para tentar travar o impacto do coronavírus na economia da Zona Euro. O Conselho de Governadores decidiu, esta quinta-feira, lançar estímulos como o reforço das compras de dívida, empréstimos à banca com condições mais favoráveis para estimular a circulação de liquidez e o alívio das regras de supervisão. No entanto, e ao contrário do que se esperava, não fez qualquer alteração nas taxas de juro de referência.

“Na reunião desta quinta-feira, o Conselho de Governadores decidiu um pacote de medidas de política monetária”, começa por explicar o BCE, em comunicado. O conjunto de medidas inclui uma nova ronda de empréstimos temporários Targeted Longer-Term Refinancing Operations (TLTRO), que pretende apoiar a liquidez imediata do sistema financeiro. “Apesar de o Conselho de Governadores ainda não ver sinais materiais de restrições nos mercados monetários ou escassez de liquidez do sistema bancário, estas operações irão servir como pilar em caso de necessidade”, aponta.

O TLTRO III estava em curso, mas terá condições mais favoráveis entre junho de 2020 e junho de 2021. As operações — que pretendem especialmente apoiar o financiamento de pequenas e médias empresas (PME) afetadas pelo coronavírus — terão taxas de juro 25 pontos base abaixo da média das operações de refinanciamento no Eurossistema. E para quem tiver níveis mais elevados de concessão de crédito, o juro poderá ser ainda mais baixo.

Em simultâneo, a instituição liderada por Christine Lagarde irá reforçar o programa de compra de ativos. Este está a decorrer a um ritmo de 20 mil milhões de euros por mês e irá ser reforçado com um acréscimo temporário de 120 mil milhões de euros até ao final do ano, “assegurando uma forte contribuição dos programas do setor privado”. Após o fim deste programa, que não tem horizonte temporal para acabar, irá continuar a reinvestir juros dos ativos.

“O Conselho de Governadores continua a esperar que a compra de ativos líquidos continue enquanto for necessário para reforçar o impacto acomodatício das taxas de juro e que terminem pouco antes de o BCE começar a subir as taxas de juro”, sublinha.

Foram as taxas de juro que não sofreram quaisquer alterações. O conselho do BCE manteve a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito inalteradas em 0,00%, 0,25% e −0,50%, respetivamente. A decisão contraria o que fizeram os bancos centrais dos EUA e Reino Unido. Tanto a Reserva Federal norte-americana como o Banco de Inglaterra anunciaram cortes surpresa nos juros.

A surpresa não parece estar a agradar os investidores. As bolsas europeias, que já estavam a ser fortemente penalizadas pelo anúncio de que os EUA vão limitar as viagens entre os dois continentes, aprofundaram as quedas. Após o anúncio, o Stoxx 600 afunda 10% e os bancos ainda mais: 11,2%. Já o índice português PSI-20 acompanha as perdas, a tombar 7,79%. O euro desvaloriza 0,33%. Na dívida, a yield das obrigações de Itália — o país do euro mais afetado pelo surto — dispararam para mais de 1,5% e aprofundaram o spread face às Bunds alemãs com a mesma maturidade, que cai para -0,80%.

(Notícia atualizada às 13h20)

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