Espanha anuncia plano de choque para conter o Covid-19

Governo espanhol anunciou "estado de alarme" e um plano de choque para conter o Covid-19. Forças armadas envolvidas para garantir um país reduzido a "serviços mínimos".

O chefe do governo espanhol anunciou, esta noite, em direto, um conjunto de medidas adicionais, na sequência do decreto de quarentena obrigatória em todo o território, comunicada este sábado. “Em cada casa espanhola, é necessária uma garantia de que amanhã passará”, disse. “E assim poderemos voltar à rua, às esplanadas, levaremos e passaremos à recuperação social e económica, e à normalidade”, acrescentou o primeiro-ministro espanhol.

Pedro Sánchez começou a conferência de imprensa dizendo que o governo espanhol aprovou o “estado de alarme” já que o país “enfrenta uma emergência de saúde pública que requer decisões extraordinárias. Uma pandemia que é mundial e que supõe um prejuízo para a totalidade dos cidadãos”, explicou. A quarentena, com a duração de pelo menos 15 dias, “poderá prolongar-se se necessário e com o aval do Congresso. A autoridade competente será o governo de Espanha”, sublinhou o chefe do governo.

Graças ao estado de alarme decretado este sábado, o Executivo espanhol anunciou que todos os cidadãos espanhóis devem acatar as instruções “que sejam necessárias para garantir a saúde e a segurança” pelos ministros autorizados a dar ordens durante o estado de alarme. “Todos os corpos de polícia vão ficar sob ordens diretas do ministro do Interior”, disse, acrescentado que o Executivo contará com o apoio das Forças Armadas e do Exército, que estarão preparados para atuar se necessário.

Durante a quarentena, o primeiro-ministro sublinhou que está apenas autorizada a movimentação de cidadãos para supermercados, trabalho, farmácias, bancos, gasolineiras, entre outros. “Em qualquer dos casos, a cada deslocação deverão respeitar-se as recomendações”, disse na conferência de imprensa.

As escolas deverão manter a atividade educativa em modo online, ao contrário de museus, instalações desportivas, hotelaria e restauração — à exceção de entregas de comida ao domicílio — que devem ser encerrados a partir de segunda-feira. Já todas as atividades comerciais à exceção de medicamentos, alimentos, tecnologia, imprensa, animais de companhia e cabeleireiros, entre outros deverão ser encerradas. “A permanência em estabelecimentos comerciais deve ser a estritamente necessária”, sublinhou.

O chefe do governo espanhol recomendou ainda que os cidadãos evitem aglomerações e que, tanto clientes como empregados, mantenham pelo menos um metro de distância para evitar contágios.

A permanência em estabelecimentos comerciais deve ser a estritamente necessária.

Pedro Sánchez

Chefe do governo espanhol

“O vírus não distingue territórios nem cores políticas”, alertou o chefe do governo espanhol, apelando à união concertada da “grande nação que somos”. “Estamos perante o nosso verdadeiro inimigo, é um inimigo de todos e devemos combatê-lo juntos”.

“O impacto económico vai ser grande, as medidas que vamos ter de tomar, sobretudo para proteger da transmissão e isso vai ter impacto social e económico evidente”, alertou.

Pedro Sánchez disse ainda que o ministro da Saúde poderá impor ordens necessárias “para o abastecimento do mercado” e que o ministro da Mobilidade poderá tomar “decisões que sejam necessárias para garantir a mobilidade”, anunciando ainda que se reduzem para metade os serviços ferroviários de média distância. Garantiu ainda que o Governo vai manter a distribuição alimentar.

Este domingo, o primeiro-ministro António Costa reúne-se, por videoconferência, com o homólogo espanhol para traçar uma estratégia comum de contenção do coronavírus.

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