Galp Energia aguenta petróleo a 30 dólares? Aguenta até aos 25

Preços do petróleo sofrem maior tombo em 30 anos, arrastando ações das petrolíferas, incluindo a Galp Energia. Conseguirá a petrolífera nacional suportar o atual nível de preços do "ouro negro"?

A Arábia Saudita abriu a “guerra de preços” no mercado petrolífero, arrastando as cotações do “ouro negro” para a maior queda desde a Guerra do Golfo e ditando uma derrocada em bolsa das empresas do setor. A Galp Energia não escapa ao trambolhão, tendo as suas ações estado já a desvalorizar em torno de 25%, num dia em que a base da sua atividade –o petróleo — viu as suas cotações baixaram até à fasquia dos 30 dólares por barril. Impõe-se a questão: até que valores o “ouro negro” pode descer sem tornar inviável para a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva a exploração de petróleo?

A forte pressão vendedora que afetou o setor das petrolíferas acontece depois de o falhanço das negociações da OPEP no final da semana passada, ter levado a Arábia Saudita a sinalizar um corte agressivo nos preços de venda da matéria-prima. Isto ao mesmo tempo que anunciou um aumento de produção com o objetivo de inundar o mercado com crude, levando o preço do barril da matéria-prima a afundar mais de 30%. O preço da matéria-prima entretanto alivia, mas continua a cair 20%, negociando nos 35 e 32 dólares, em Londres e Nova Iorque, respetivamente.

As ações da Galp Energia não resistiram à onda de perdas que afetaram os títulos do setor, tendo chegado a tocar num mínimo de 8,634 euros — uma queda de 24,8% — neste arranque de sessão. Entretanto, as perdas aliviaram, mas ainda assim rondam os 15,71%, para os 9,676 euros.

A penalização do título não acontece, contudo, exclusivamente ao contágio das pares do setor, mas pelo efeito que o tombo das cotações do petróleo pode ter na atividade da própria Galp Energia, que vive sobretudo da exploração da matéria-prima. Quanto mais baixo for o valor a que a Galp Energia conseguir vender o petróleo que explora, menores são as suas receitas, maior a pressão sobre o seu negócio, e em consequência também menores os resultados que alcança. Em última instância pode mesmo haver o caso em que para a petrolífera mais vale “fechar a torneira” do que continuar a explorar petróleo.

Apesar do trambolhão, o nível a que as cotações do petróleo se encontram não põem em causa, para já, a atividade de exploração da Galp Energia. No Capital Day de 2020 levado a cabo em fevereiro, a petrolífera colocava em 25 dólares, o seu breakeven. Ou seja, o limite mínimo até ao qual as cotações do petróleo poderiam baixar sem que a atividade de exploração se tornasse economicamente inviável.

Os 25 dólares por barril correspondem a um valor médio, sendo que o custo para a Galp Energia varia consoante o local onde está a explorar petróleo. No caso do Brasil, que representa mais de 93% da produção total da petrolífera portuguesa, a exploração é mais onerosa, já que é feita no pré-sal. Já a restante parcela de cerca de 6% da produção da Galp Energia é gerada em Angola, onde o custo de exploração já será mais baixo.

Mas caso as cotações do petróleo desçam abaixo da fasquia dos 25 dólares, a viabilidade do negócio de exploração da Galp Energia já poderá ficar em causa. E este cenário de preços não está totalmente afastado. Os bancos de investimento com visões mais agressivas veem o preço do barril a poder chegar até aos 20 dólares. É o caso do Goldman Sachs que antecipa que perante este contexto de “guerra” entre os produtores de petróleo, o preço do barril possa mesmo cair até esse valor.

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