Crédito ao consumo trava para 638 milhões no primeiro mês do ano

Bancos e financeiras disponibilizaram 638 milhões de euros em empréstimos para consumo em janeiro, mês tradicionalmente marcado por uma travagem no recurso ao crédito. Automóvel derrapou 8%.

Os portugueses recorrerem menos ao crédito ao consumo no primeiro mês do ano. Os bancos e as financeiras disponibilizaram 638 milhões de euros com esse fim em janeiro, mês tradicionalmente marcado por uma travagem no recurso ao crédito. Os empréstimos para a compra de carro registaram a maior quebra.

Os 638 milhões de euros em crédito ao consumo concedidos conjuntamente, em janeiro, pelos bancos e pelas instituições de crédito especializado representam um corte de 4,47%, face aos 668 milhões registados em dezembro. Trata-se ainda do valor mensal concedido mais baixo desde setembro do ano passado, mostram dados do Banco de Portugal divulgados nesta segunda-feira.

Numa comparação homóloga, mantém-se contudo, a tendência de crescimento, com o montante de crédito concedido a subir 12,85% face a janeiro de 2019.

Em termos mensais, a quebra da concessão verificada em janeiro foi transversal em praticamente todos os destinos, mas deveu-se sobretudo ao recuo do crédito automóvel. No primeiro mês do ano, os portugueses foram buscar 245,7 milhões de euros em empréstimos para comprar carro, uma redução de 8,9% face ao último mês do ano, fixando-se num mínimo de novembro.

De salientar que as vendas de carros voltaram a cair no arranque do ano. No mês de janeiro de 2020 foram matriculados em Portugal 17.504 automóveis, ou seja, menos 8,5% que no mês homólogo do ano anterior, revelam os dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP).

Evolução do crédito ao consumo desde 2013

Fonte: Banco de Portugal

A venda de carros novos foi onde se assistiu à maior redução das quantias concedidas. Na locação financeira e ALD de carros novos a quebra mensal foi de 27,5%, para 21,4 milhões de euros, enquanto com reserva de propriedade a diminuição foi de 27,1%, para 43,4 milhões de euros. Já nos usados, o valor concedido baixou 36,4%, para 8,3 milhões de euros, no caso da locação financeira e ALD. Já com reserva de propriedade, no caso dos carros usados observou-se um aumento de 3% na concessão, para 172,6 milhões de euros.

Em termos homólogos, observou-se contudo um novo aumento dos valores concedidos para a compra de carro, em janeiro: 11,3%

Já a categoria de outros créditos pessoais, que inclui financiamentos sem fim específico ou para a aquisição de artigos para o lar, apresentou uma quebra de 1,66%, para 282,8 milhões de euros. Face a janeiro do ano passado, há contudo um aumento de 17,35%.

Nos cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto, em termos mensais, observou-se uma redução de 1,7% no montante concedido em janeiro, para os 99,6 milhões de euros. Em termos homólogos, houve pelo contrário um aumento de 3,4%.

Já os créditos pessoais com finalidade educação, saúde, energias renováveis e locação financeira de equipamentos, foram os únicos a registar um aumento dos valores concedidos tanto em termos mensais como homólogos. Em janeiro foram disponibilizados 9,9 milhões de euros com esse fim, 5,87% e 35,52% acima do verificado, respetivamente, em dezembro e janeiro do ano passado.

(Notícia atualizada às 11h43)

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