Supervisor europeu aperta regras de shortselling por três meses

Vai passar a ser obrigatório reporte às autoridades nacionais de posições líquidas curtas a partir de limiar de 0,1%. Não está excluída a hipótese de limitar de todo o shortselling.

A Autoridade Europeia de Mercados de Valores Mobiliários (ESMA, na sigla em inglês) reforçou o controlo do shortselling devido ao momento de incerteza que se vive nos mercados. Vai passar a ser obrigatório reporte às autoridades nacionais de posições líquidas curtas a partir de limiar de 0,1%. A medida estará em vigor durante três meses, sendo que não está excluída a hipótese de limitar de todo o shortselling.

“A decisão da ESMA obriga a que pessoas individuais e coletivas que tenham posições curtas líquidas em relação a ações admitidas à negociação nos mercados regulados notifiquem as autoridades competentes dessas posições caso atinjam ou excedam os 0,1% do capital”, explica o supervisor em comunicado.

“As medidas impostas pela decisão da ESMA dizem respeito à necessidade das autoridades competentes e da ESMA de estarem atentas às posições curtas líquidas que os participantes do mercado abriram em relação às ações admitidas à negociação nos mercados regulados, dados os desenvolvimentos excecionais recentes nos mercados financeiros“, sublinha. Desde 20 de fevereiro, as bolsas europeias desvalorizaram 30% com a disseminação do coronavírus a gerar receios sobre a quebra na atividade económica.

Como em qualquer situação de crise, há investidores a apostarem na queda das ações e estão a aproveitar o momento para reforçarem o shortselling. Assim, a ESMA considera que as condições adversas constituem “uma ameaça séria ao funcionamento ordenado e para a integridade” dos mercados financeiros. “Há um claro risco que esta tendência negativa continue nos próximos dias ou semanas“, alerta o supervisor.

Países como Espanha e Itália tinham já anunciado medidas semelhantes para limitar o shortselling e o supervisor europeu aponta a necessidade de alinhamento entre as autoridades nacionais devido ao potencial efeito contágio. “A ESMA considera que, sem a implementação destas medidas neste momento, as autoridades nacionais competentes e a ESMA não terão capacidade de monitorizar adequadamente o atual ambiente de mercado, em que a substancial pressão vendedora e a invulgar volatilidade nos preços pode ser amplificada pelas posições curtas”, acrescenta.

(Notícia atualizada às 12h20)

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