Wall Street afunda 7% após novo corte de juros da Fed. Negociação foi suspensa

Investidores viram resposta concertada de uma série de bancos centrais como sinal de pânico em relação ao impacto do coronavírus na economia global.

Wall Street afunda após a reação dos bancos centrais para tentar conter o impacto do coronavírus na economia. A Reserva Federal norte-americana anunciou, este domingo, um pacote de medidas de emergência, incluindo o segundo corte de juros em menos de um mês. A forte queda levou à suspensão das negociações pela terceira vez numa semana.

O índice financeiro S&P 500 abriu a afundar mais de 7%, espoletando uma paralisação automática de 15 minutos. Já o índice Dow Jones tomba 9,71% para 2.490,47 pontos, enquanto para pontos e o tecnológico Nasdaq perde 6,12% para 482,15.

As perdas seguem-se ao anúncio de que a Fed cortou juros, em 100 pontos base, para um intervalo entre 0% e 0,25%, a par de uma nova ronda de compra de dívida num total de 700 mil milhões de dólares e de medidas de alívio para a banca. Por último, anunciou uma ação coordenada dos principais bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), que visa amparar o dólar perante a disrupção que está a ser provocada pela pandemia do coronavírus.

Os bancos estão entre os títulos que mais caem esta segunda-feira, com o Bank of America, o JPMorgan Chase, o Goldman Sachs e o Citigroup a desvalorizem entre 10% e 15%. Também as retalhistas estão a reagir ao anúncio do fecho de lojas, como a Nike, que cai 11%, ou a Apple que perde 9,94%.

Está a formar-se uma inversão significativa nos próximos meses. A única questão é quão profunda é que se vai tornar”, alerta Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics. “À medida que a escala da rutura, provocada pelo coronavírus, na economia e nos mercados se torna clara, parece provável que os investidores comecem a questionar cada vez mais se os decisores políticos já esgotaram a capacidade de resposta”.

Além da Fed, vários bancos centrais cortaram juros este fim de semana, incluindo no Japão, Austrália e Nova Zelândia, numa ação como não se via desde a crise financeira de 2008. Mas a decisão não foi suficiente para restabelecer o sentimento dos investidores e ações mundiais seguem em forte queda, enquanto as dívidas da Alemanha e dos EUA estão a servir de refúgio.

A par das ações, também o dólar e o petróleo estão em terreno negativo. O Brent de referência europeia afunda 12% para 29,77 dólares por barril, estando pela primeira vez desde 2016 abaixo dos 30 dólares. Já o crude WTI perde 10% para 28,75 dólares.

(Notícia atualizada às 14h00)

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