Portugal emite mil milhões em dívida de curto prazo. Falha meta e obtém juro mais alto

Os juros da dívida portuguesa têm vindo a subir em mercado secundário devido aos receios do impacto do coronavírus. Em mercado primário, os custos de financiamento seguiram a mesma tendência.

Portugal registou juros mais elevados para emitir, esta quarta-feira, dívida pública de curto prazo e falhou o total indicativo para o leilão. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses, numa altura de forte volatilidade nos mercados financeiros devido ao surto de coronavírus.

No caso do prazo mais longo, ou seja, as BT a 12 meses, o IGCP colocou 405 milhões de euros em títulos, com uma taxa de juro de -0,101%. Apesar de continuar a ser negativa, esta taxa representa uma forte subida face os -0,482% do último leilão com a mesma maturidade, realizado a 15 de janeiro.

Já nas BT com maturidade mais curta, a seis meses, o Tesouro emitiu 595 milhões com um juro de -0,089%. No último leilão comparável, também em janeiro esta taxa tinha-se situado em -0,487%.

As circunstâncias são, no entanto, diferentes agora do que eram então. A pandemia de coronavírus tem levado os investidores a afastarem-se de dívidas vistas como mais arriscadas, em detrimento de refúgios, enquanto as quedas nas bolsas têm limitado a liquidez nos mercados. Nos últimos dias, a yield das obrigações do Tesouro português tem refletido exatamente esse panorama, tendo subido para mais de 1,5%, o que não acontecia desde fevereiro do ano passado.

Neste cenário, a procura por BT no leilão desta quarta-feira afundou, levando a que a agência liderada por Cristina Casalinho emitisse apenas mil milhões de euros, enquanto o montante indicativo situava-se entre 1.250 e 1.500 milhões. Nos bilhetes a 12 meses, a procura ficou 1,26 vezes acima da oferta (em comparação com 1,78 vezes, em janeiro), enquanto nos bilhetes a seis meses foi 1,13 vezes superior (face a 2,24 vezes no último leilão).

(Notícia atualizada às 11h00)

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