Juro da dívida portuguesa acima de 1% pela primeira vez em dez meses

Receios nos mercados estão a penalizar yields dos países periféricos.

Os juros da dívida portuguesa estão a agravar-se com o surto de coronavírus a penalizar o sentimento dos investidores. Pela primeira vez em dez meses, a yield das obrigações do Tesouro portuguesas a dez anos ultrapassou 1%. Portugal acompanha a tendência vivida em países como Espanha e Itália, enquanto as dívidas de países como Alemanha ou EUA estão a servir de refúgio aos investidores.

A yield da dívida portuguesa negoceia esta segunda-feira em 1,04%, no valor mais elevado desde maio de 2019. O agravamento que se tem vindo a acontecer nos últimos dias em resultado dos receios face ao impacto económico do surto de coronavírus. A taxa de juro pedida pelos investidores para trocarem títulos portugueses entre si compara com o mínimo histórico de 0,081% alcançado em agosto do ano passado.

A Europa é atualmente o foco da pandemia e já levou países como Itália e Espanha a decretarem quarentena obrigatória. Em ambos os casos, os juros das dívidas subiram para máximos desde o verão passado. No caso da dívida espanhola está em 0,84% e, no caso da italiana, em 2,13%.

Os bancos centrais têm tentado travar o impacto do coronavírus com estímulos à economia, nomeadamente com uma ação conjunta anunciada este fim de semana. A decisão foi tomada depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter decidido também um pacote de estímulos à economia. No entanto, direcionou as medidas para a banca e para as pequenas e médias empresas. Christine Lagarde deixou claro que não tinha como objetivo manter os juros das dívidas baixos, o que tem pressionado as obrigações dos países periféricos.

“O mercado está muito volátil. Muitos investidores precisam de liquidez e têm de vender ativos refúgio”, explicou, na altura, Sebastian Fellechner, analista do DZ Bank, citado pela Reuters. Para o analista, a reação do BCE foi “uma desilusão” para os Governos.

Yield das obrigações portuguesas sobe

Fonte: Reuters

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