Siza Vieira não sabe quanto o Estado deve a fornecedores. Ordem para pagar já tem duas semanas

As medidas anunciadas pelo Executivo "são um ventilador para as empresas", diz o ministro da Economia. No âmbito do sistema de incentivos já foram pagos 60 milhões que estavam pendentes.

Há duas semanas que o Conselho de Ministros deliberou proceder à aceleração de todos os pagamentos das administrações públicas, mas o ministro de Estado e da Economia não faz ideia de qual o montante que o Estado deve aos fornecedores. Em entrevista na SIC Notícias, Pedro Siza Vieira revelou, contudo, que ao nível dos apoios às empresas, no âmbito do Portugal 2020, já foram pagos 24% dos montantes pendentes.

“No âmbito do Sistema de Incentivos temos cerca de 250 milhões de euros pendentes e já procedemos, sensivelmente, ao pagamento de 60 milhões de euros. E vamos continuar a acelerar”, anunciou Siza Vieira, admitindo que “está a ocorrer mais depressa nuns sítios do que noutros”. No entanto, não tem “a noção do montante de pagamentos pendentes, no resto da despesa do país”, apesar de a indicação do Executivo ser para proceder ao seu pagamento.

De acordo com o PSD, o Estado deve entre quatro e cinco mil milhões de euros de a fornecedores e pede que esse montante seja pago em 15 dias.

Garantindo que todos os dias se tenta meter na pele de centenas de milhares de empresários que existem em Portugal, “confrontados com uma incerteza muito grande”, dada a redução “muito brusca da atividade económica”, explica que o objetivo do Executivo é “tentar reduzir a incerteza e introduzir alguma confiança” seja nas empresas seja nas famílias.

Para Siza Vieira, o conjunto de medidas adotadas nos últimos dias, incluindo no Conselho de Ministros desta quinta, é “muito poderoso”. “As medidas que temos hoje é um ventilador para as empresas”, afirmou, dando como exemplos a moratória bancária ou o alargamento do regime de lay-off simplificado, “uma medida para premiar quem mantém o emprego”. Em causa está o facto de as empresas suportarem apenas 16% da sua folha salarial, já que os trabalhadores focam apenas com dois terços do seu rendimento e 70% desse montante é assegurado pela Segurança Social, e de no final receberem um prémio pela manutenção do posto de trabalho (635 euros).

“Nesta altura, a melhor maneira de um empresário se proteger da incerteza é mesmo manter, o mais possível, os postos de trabalho”, frisou Pedro Siza.

O ministro de Estado e da Economia defende a necessidade de evitar que se destrua tudo nestes tempos de pandemia o que tornaria muito mais difícil recuperar depois. “Por causa dois meses não se pode deitar fora o trabalho de uma vida”, lembrou o responsável.

Entre as medidas para “mitigar os danos” de um estado de emergência que “muito provavelmente vai ser renovado”, Siza Vieira recordou as linhas de crédito de três mil milhões de euros que têm como condicionante que as empresas “não procedam a despedimentos e durante o ano de 2020 não procedam a despedimentos por motivos económicos” (despedimentos coletivos ou extinção do postos de trabalho).

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