Crescimento em África será “significativamente revisto em baixa”, diz FMI

  • Lusa
  • 30 Março 2020

O impacto da pandemia na economia africana deve-se à dificuldade de implementar as medidas de isolamento social e manter a economia a funcionar, aponta o FMI.

O diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta segunda-feira que a previsão de crescimento económico para a África subsaariana será “significativamente revisto em baixa”, reservando para abril a atualização concreta das projeções.

Em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, Abebe Aemro Selassie confirmou que a pandemia da covid-19 terá um efeito muito significativo nas economias africanas devido à dificuldade de implementar as medidas de isolamento social e manter, ainda que parcialmente, a economia a funcionar, o que é agravado com a descida dos preços do petróleo.

Em janeiro, o FMI já tinha cortado a previsão de crescimento para África, colocando a expansão económica prevista para este ano nos 3,5%, mas desde então baixou a previsão de crescimento da Nigéria, a maior economia da região, de 2,5% para 2%, e a África do Sul deverão registar crescimento negativo, segundo as previsões do próprio banco central da mais industrializada nação da África subsaariana, o que influencia a perspetiva geral, já que estes dos países representam metade do PIB da região.

Selassie defendeu que os governos, incluindo a China, devem responder aos apelos do fundo para suspender os pagamentos de juros da dívida bilateral, e confirmou que o FMI já começou a dar apoio a alguns países, o que lhes permite aumentar a despesa com a saúde.

Questionado sobre o pedido de alguns ministros das Finanças relativamente à suspensão do pagamento de todas as dívidas, incluindo a dívida comercial, contraída, por exemplo, através da emissão de títulos de dívida soberana, Selassie respondeu que olhar individualmente para cada caso “é a melhor abordagem para lidar com o fardo da dívida destes países”.

Uma das grandes vantagens da região, acrescentou, “é que há poucos países a dependerem apenas de Eurobonds ou dos mercados de capitais para as necessidades financiamento”.

O diretor do departamento financeiro do FMI, que variadas vezes tem alertado para o alto nível de endividamento na região, disse que os países podem beneficiar com uma taxa de câmbio mais flexível para absorverem melhor o choque externo que está a prejudicar as receitas, exemplificando que a decisão do banco central da Nigéria de permitir uma depreciação foi a resposta certa.

A pandemia de covid-19 matou pelo menos 33.568 pessoas no mundo inteiro desde que a doença surgiu em dezembro na China e já foram diagnosticados pelo menos 715.204 casos de infeção. A Itália continua a ser o país mais afetado em número de mortes (10.779), seguido da China (3.304 mortes), o foco inicial do contágio. Os Estados Unidos registam 143.025 casos e 2.514 mortes.

O número de mortes causadas pela covid-19 em África subiu para 148 com o número de casos acumulados a aproximar-se dos 5.000 em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia.

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