Confiança dos consumidores cai em março para mínimos de 2016

A confiança dos consumidores portugueses registou em março, mês em que a pandemia eclodiu em Portugal, a maior queda mensal desde 2012. Está agora em níveis mínimos de 2016, segundo o INE.

No mês em que estalou a crise da pandemia do coronavírus em Portugal, a confiança dos portugueses afundou a pique. A confiança dos consumidores portugueses caiu “de forma significativa no último mês”, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta segunda-feira, com este indicador a interromper o perfil ascendente iniciado em abril e atingindo o valor mínimo desde o final de 2016.

“O indicador de confiança dos consumidores diminuiu entre dezembro e março, de forma significativa no último mês, interrompendo o perfil ascendente iniciado em abril e atingindo o valor mínimo desde dezembro de 2016”, diz o gabinete público de estatísticas.

A dimensão da quebra da confiança dos consumidores leva a que, não considerando médias móveis de três meses, os resultados apurados para o mês de março apontem para “a maior redução mensal desde setembro de 2012“, nota ainda.

No que diz respeito à confiança dos consumidores, a redução do indicador teve o contributo negativo de todas as componentes, com o inquérito a mostrar que “resultou sobretudo do contributo negativo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país, e, em menor grau, das restantes componentes, perspetivas relativas à evolução da realização de compras importantes e opiniões e expectativas sobre a evolução da situação financeira do agregado familiar”.

Essa quebra da confiança dos consumidores ocorre em linha com o cenário de forte quebra económica em Portugal que já é antecipado venha a acontecer em resultado do impacto da pandemia na atividade do país e a nível internacional.

O Banco de Portugal no boletim económico divulgado na passada quinta-feira antecipa que o PIB nacional possa encolher até 5,7% este ano por causa do impacto do coronavírus.

O INE revela ainda que o indicador de clima económico também diminuiu de forma significativa em março, “retrocedendo para valores próximos dos observados no final de 2016“, salientando que “esta redução teve uma magnitude semelhante à verificada em abril de 2011“.

Nos últimos dois meses, os indicadores de confiança diminuíram na indústria transformadora, no comércio e nos serviços, tendo aumentado na construção e obras públicas. “Não considerando médias móveis de três meses, todos os indicadores de confiança diminuíram relativamente a fevereiro”, acrescenta o INE a este propósito.

Sentimento económico na Zona Euro com maior recuo mensal de sempre

O indicador do sentimento económico registou, em março, o maior recuo mensal na Zona Euro (-8,9 pontos) desde que há registos, tendo ainda caído 8,2 pontos na União Europeia (UE), divulga esta segunda-feira a Comissão Europeia.

Dados da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia indicam que o maior recuo no indicador desde que há registos (1985), de 8,9 pontos para os 94,5, deveu-se à queda da confiança dos consumidores e em todos os setores de negócios na Zona Euro, particularmente nos serviços e no comércio de retalho.

O sentimento económico recuos nas cinco maiores economias da Zona Euro, com particular destaque para Itália (-17,6 pontos) e Alemanha (-9,8), seguindo-se França (-4,9), Holanda (-4,0) e Espanha (-3,4). Na UE, o sentimento económico baixou 8,2 pontos para os 94,8.

Bruxelas adverte que os dados foram recolhidos entre 26 de fevereiro e 23 de março, tendo a maioria das respostas sido recebida antes de vários países terem adotado medidas de confinamento estritas para combater a pandemia da covid-19.

Bruxelas assinala ainda, no boletim, que o indicador das expectativas de emprego recuou 10,9 pontos para os 94,1 na Zona Euro e 9,7 pontos para os 94,8 na UE.

(Notícia atualizada às 10h43)

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