“Europa em recessão profunda é inevitável”, alerta Poul Thomsen, cara da troika em Portugal

Poul Thomsen, a primeira cara da troika em Portugal, antecipa que é inevitável que a Europa entre em recessão profunda, argumentando que se há tempo para gastar é agora.

O ex-responsável pela missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal, que irá reformar-se em julho, escreveu esta segunda-feira um texto no blog do FMI em que avisa que é “inevitável” que a economia europeia entre numa “recessão profunda”.

Poul Thomsen, que atualmente lidera o Departamento Europeu do FMI, considera que o vírus chegou à Europa com uma “ferocidade atordoante”. Apesar de admitir que não se sabe o tempo que esta crise vai durar, “sabemos que o impacto económico será severo”. Tanto que o FMI já recebeu o maior número de sempre de pedidos de ajuda (mais de 70) de uma só vez.

De acordo com as contas do economista dinamarquês, o encerramento dos serviços não essenciais corresponde a cerca de um terço do PIB nas economias avançadas da Europa. “Isto significa que cada mês que estes setores continuem fechados traduz-se numa queda de 3% no PIB anual“, calcula, referindo que é preciso ainda juntar as repercussões no resto da economia.

Tendo em conta este panorama, Thomsen não tem dúvidas: “a Europa em recessão profunda este ano é uma conclusão inevitável”. Mas os países europeus têm uma vantagem: “os sistemas de proteção social fortes” irão “facilitar” na ajuda aos cidadãos e às empresas. Contudo, o economista também assinala que “estes sistemas sociais não foram construídos para dar responder a uma procura desta magnitude” pelo que os Governos estão a avançar com medidas “inovadoras e desconhecidas”.

"A determinação dos líderes da Zona Euro para fazer o que quer que seja necessário para estabilizar o euro não deveria ser subestimada.”

Poul Thomsen

“Todos os países da Europa terão necessidade de responder de forma agressiva a esta crise. Se alguma vez houve um momento para usar as margens e o espaço político disponível, este sem dúvida que o é”, argumenta Poul Thomsen, pedindo aos Governos para serem “audazes” e para aplicarem medidas “proporcionais” à escala do problema.

Perante esta recomendação, Thomsen, muitas vezes a cara da austeridade em países como Portugal ou Grécia, elogia a decisão da União Europeia de suspender as regras orçamentais para permitir que os défices orçamentais “escalem”. O economista considera que as compras anunciadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e a possibilidade de o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) emprestar aos países asseguram que mesmo os países com dívida pública elevada tenham margem orçamental para reagir à crise.

“A determinação dos líderes da Zona Euro para fazer o que quer que seja necessário para estabilizar o euro não deveria ser subestimada”, conclui o ainda funcionário do FMI, referindo-se às palavras da presidente do BCE, Christine Lagarde, que disse que “não há limites no nosso compromisso com o euro”.

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