Aliança europeia: 180 assinam carta em defesa de uma “recuperação verde” da economia

  • Lusa e ECO
  • 14 Abril 2020

A "European Alliance for a Green Recovery" foi assinada pelo pelo ministro do Ambiente, Matos Fernandes, o presidente da EDP, António Mexia e o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho, entre outros.

O ministro do Ambiente, e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, é uma das 180 personalidades que subscrevem uma carta aberta publicada esta terça-feira em vários jornais da União Europeia propondo uma “aliança europeia para uma recuperação verde” pós crise do Covid-19.

“Não venceremos a batalha contra o Covid-19 sem uma sólida resposta económica”, salientam os subscritores, incluindo, para além de Matos Fernandes, o presidente da EDP, António Mexia e o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho.

A carta é uma iniciativa de Pascal Canfin, responsável pelo Comité de Ambiente do Parlamento Europeu e foi assinada por ministros de 11 países, 79 eurodeputados de 17 países, 37 CEO, 28 associações empresariais que representam 10 setores diferentes, várias confederações que representam 90 sindicatos nacionais e 10 federações sindicais, sete organizações não-governamentais e seis think tanks.

“Perante a crise do coronavírus, o maior desafio que a Europa já enfrentou em tempos de paz, com consequências devastadoras e um choque para a economia pior do que o da crise de 2008, comprometemo-nos a trabalhar juntos, apoiar e implementar soluções para preparar as nossas economias para o mundo de amanhã”, pode ler-se no comunicado sobre a assinatura da “European Alliance for a Green Recovery”. Na prática, trata-se da primeira ‘call for action’ pan-europeia a favor da mobilização de pacotes de investimento pós-crise, que ajudem a pôr em marcha os planos de recuperação e transformação que privilegiem a luta contra as alterações climáticas como um pilar estratégico para a economia.

“Partilhando a crença que a recuperação económica só será possível com investimentos massivos para proteger e criar mais emprego e apoiar todas as empresas, regiões e setores que sofreram com uma paragem forçada devido à pandemia de Covid-19, a aliança compromete-se a contribuir para as decisões de investimento pós-crise necessárias para reativar a economia“, refere o mesmo comunicado.

E remata: “O Covid-19 não vai parar as alterações climáticas nem a degradação da natureza. A luta contra esta crise não será ganha sem uma resposta económica sólida. A aliança compromete-se a participar na luta e na vitória destas duas batalhas simultâneas e, ao fazê-lo, tornar-se mais forte em conjunto”.

Para os subscritores da carta “não está em causa criar uma economia do zero. Estão já ao dispor todos os instrumentos e muitas das tecnologias. Ao longo dos últimos dez anos alcançaram-se progressos tremendos em muitos setores em transição, desenvolvendo novas tecnologias e cadeias de valor, reduzindo de forma dramática o custo da transição”.

“Exortamos a uma aliança global transversal à política, decisores políticos, líderes empresariais e financeiros, organizações patronais e sindicais, Organizações Não Governamentais, grupos de reflexão, partes interessadas, visando apoiar e concretizar a execução de Pacotes de Investimento para a Recuperação Verde, atuando como catalisadores para a transição para a neutralidade climática e ecossistemas saudáveis. Deste modo, comprometemo-nos a trabalhar em conjunto, partilhar conhecimento, experiência específica e criar sinergias para proporcionar as decisões de investimento que necessitamos”, lê-se na carta aberta, que salienta também que “o grande choque para a economia criado pela pandemia exige uma forte resposta económica coordenada”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 117 mil mortos e infetou quase 1,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, cerca de 402 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 962 mil infetados e cerca de 80 mil mortos, é o que regista o maior número de casos, e a Itália é o segundo país do mundo com mais vítimas mortais, contando 20.465 óbitos e mais de 159 mil casos confirmados.

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