Mais de 52 mil já pediram subsídio de desemprego durante a pandemia

As restrições impostas para combater a pandemia (quase) paralisaram a economia, o que está a ressentir-se no mercado de trabalho. Mais de 52 mil trabalhadores pediram o subsídio de desemprego num mês.

A recessão económica está a ter consequências no mercado de trabalho com o desemprego a aumentar. Desde que a pandemia começou a afetar Portugal, já houve mais de 52 mil pedidos de subsídio de desemprego à Segurança Social.

Os dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho publicados esta quinta-feira mostram que foram submetidos 52.296 pedidos de subsídio de desemprego entre 16 de março e 13 de abril. Deste universo, 24.078 foram deferidos, ou seja, já foram aprovados.

Estes números começam a mostrar a dimensão do impacto da pandemia no mercado de trabalho português que há um mês registava uma taxa de desemprego historicamente baixa. Em média, nos dias úteis, há entre 2 a 3 mil pedidos de subsídio de desemprego por dia. Porém, o acumulado de 52 mil pedidos num só mês é muito ou pouco?

Para tentar responder a essa pergunta vale a pena recordar que, segundo dados da Segurança Social relativos a 1 de março, havia 177.844 trabalhadores a receber a prestação de desemprego, cerca de metade do universo de mais de 300 mil desempregados.

Caso os 52 mil pedidos sejam aprovados, as prestações de subsídio de desemprego vão aumentar 29%, uma subida significativa que começará a pesar nos cofres públicos, juntando-se à fatura já pesada de medidas extraordinárias como o lay-off e o apoio aos pais.

Os dados do GEP mostram ainda que no final de março estavam inscritos 321.164 trabalhadores nos Centros de Emprego (IEFP), mais 1,8% (5.602) do que no mês anterior. Até aí aparentava não haver um aumento repentino do desemprego, pelo menos daqueles desempregados que chegam a inscrever-se no IEFP.

Contudo, os dados até 13 de abril já mostram uma aceleração. Em duas semanas, o número de desempregados inscritos aumentou em 31.955, atingindo um total de 353.199 trabalhadores, tal como tinha adianto a ministra do Trabalho no Parlamento. Para Ana Mendes Godinho estes números demonstram que “o mecanismo de lay-off está a conseguir absorver uma grande parte da manutenção dos postos de trabalho”.

Em abril, em média, houve 3.518 inscrições por dia no IEFP até dia 13. Em março, essa média diária tinha sido de 2.338 inscrições.

O número oficial da taxa de desemprego relativa a março, que é estimado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), será publicado no final deste mês e a de abril no final do próximo mês. A taxa de desemprego fechou 2019 nos 6,5% e há várias estimativas para a sua evolução em 2020: o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que mais do que duplique para os 13,9% e o Banco de Portugal para 11,7% (no cenário adverso).

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