UE arrisca-se a falhar o “whatever it takes” e a ficar-se pelo “whatever you can”, avisa Centeno

O presidente do Eurogrupo avisou os eurodeputados que a resposta europeia arrisca-se a falhar o "whatever it takes" se parar por aqui. É preciso ir mais longe, argumenta Centeno.

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, alertou esta terça-feira que se a resposta europeia ficar pelo que foi feito até agora arrisca-se a falhar o “whatever it takes” (“o que for necessário” para salvar a UE da crise pandémica, numa tradução livre), uma expressão cunhada por Mario Draghi e que tem sido repetida por vários responsáveis europeus.

Sem um forte plano de recuperação a nível de europeu, a resposta europeia pode assim ficar-se pelo “whatever you can” (“o que se conseguir” para salvar a UE da crise pandémica), exibindo as grandes diferenças na capacidade de resposta dos vários países. Para já, o Eurogrupo chegou a acordo para uma resposta imediata à crise num total de 500 mil milhões de euros de ajuda aos Estados, famílias e empresas.

“Ainda que seja significativa e coordenada, a resposta orçamental a nível nacional foi limitada e desigual”, afirmou Centeno no discurso inicial de uma audição extraordinária com os eurodeputados da comissão parlamentar dos assuntos económicos do Parlamento Europeu. “Se se parar aqui não será uma abordagem ‘whatever it takes‘, mas antes uma abordagem ‘whatever you can‘”, admitiu.

“A diferença na capacidade dos governos nacionais tornou-se evidente rapidamente”, explicou Mário Centeno, assinalando que o “impulso orçamental imediato foi quase sete vezes superior na Alemanha do que em Itália, ainda que a crise tenha sido mais severa neste último país”.

Para o presidente do Eurogrupo “esta pandemia é um choque externo e simétrico” pelo que para o ultrapassar a União Europeia tem de mostrar uma “forte componente de solidariedade para assegurar um tratamento igual aos cidadãos europeus e condições equitativas às empresas”. O presidente do Eurogrupo considera que as medidas aprovadas até agora já mostram que existe solidariedade, mas argumentou que será preciso mais — “não haja dúvida disso”, vincou — dada a “difícil tarefa” de reconstruir a economia.

Centeno disse que é necessário que a União Europeia apresente um plano para lidar com o aumento do fardo da dívida depois da crise. “Se se falhar nisso podemos reacender a fragmentação [na UE], o que relembra memórias de crises anteriores”, assinalou. O português refere-se ao plano europeu de recuperação e à forma como será financiado, nomeadamente se esse financiamento irá contar para os rácios das dívidas públicas nacionais.

No seu discurso inicial, Mário Centeno apontou para o papel do próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP), o orçamento europeu, neste contexto de crise pandémica. “Crucialmente, este [o fundo europeu de recuperação] terá de assegurar solidariedade aos Estados-membros mais afetados e ajudar a distribuir os custos extraordinários desta crise ao longo tempo“, disse, referindo que estas premissas são “consensuais” dentro do Eurogrupo.

Sem consenso está a forma de financiamento, assumiu, referindo que há visões diferentes sobre esse assunto pelo que será necessária mais discussão, nomeadamente no Conselho Europeu desta quinta-feira. E deixou um conselho aos líderes europeus: “Devemos afastar-nos do caminho batido das velhas linhas vermelhas e concentrar-nos no que quer que funcione para resolver o problema. Necessitamos de um plano de estímulo considerável da UE e de uma solução comum para gerir o consequente peso da dívida”. Centeno pede “mente aberta” e “elevada ambição”.

Além do financiamento, Mário Centeno disse que é necessário também pensar em que instrumentos serão utilizados para aplicar o dinheiro. Recordando que fruto do trabalho do Eurogrupo nos últimos dois anos foi criado o BICC, o instrumento orçamental para a convergência e a competitividade, o português referiu que tem de ser “repensada” a sua “dimensão” para que seja eficaz no contexto atual.

(Notícia atualizada)

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