Excesso de petróleo não dá tréguas. Crude tomba 17% até aos 10 dólares

O preço do "ouro negro" derrapa em Nova Iorque, não conseguindo resistir ao excesso de matéria-prima disponível no mercado face a uma procura está sob forte pressão.

As cotações do petróleo voltam a estar sob pressão nesta terça-feira. O preço do barril de crude é o mais penalizado, tendo chegado a derrapar 17%, para voltar à casa dos dez dólares por barril. Já o brent mantém-se à tona apesar da pressão do excesso de matéria-prima disponível no mercado face a uma procura que não pára de encolher.

O barril de crude está a tombar 2% para 12,32 dólares por barril em Nova Iorque, mas chegou a valer, durante a manhã, apenas 10,07 dólares. Já o brent transacionado em Londres, que chegou a desvalorizar para menos de 20 dólares, conseguiu resistir à pressão e sobe 5% para 20,84 dólares.

As cotações do petróleo não conseguem resistir à ameaça do sobre armazenamento da matéria-prima que está a ditar vendas massivas de contratos que vencem em junho. Foi o que se passou com o maior ETF (exchange-traded fund) de petróleo do mundo, um fundo de investimento negociado em bolsa, que começou a vender grande parte das suas posições.

Petróleo sob pressão leva Brent para os 20 dólares

O United States Oil Fund LP, vendeu a maioria dos títulos que detinha sobre o contrato de WTI para entrega em junho, apostando em contratos posteriores, alimentando o medo de um novo colapso nos preços junto dos investidores à semelhança do que aconteceu no início da última semana, quando o petróleo caiu para valores negativos.

“Com o ETF USO a prever-se que continue a vender as suas posição no WTI de junho ao longo do resto da semana, mais ninguém que precisa, ou quer vender, está por aí a esperar para o fazer também”, disse Jeffrey Halley, analista sénior da corretora OANDA, em Singapura, citado pela Reuters.

Os produtores de petróleo denotam não estar a conseguir travar de forma suficientemente rápida o output, sobretudo num contexto em que é esperada uma contração económica global de 2% este ano, uma degradação ainda mais acentuada do que na crise financeira, enquanto a procura de “ouro negro” já colapsou 30% devido aos efeitos da pandemia que ditou a quase paragem de atividade em muitas economias.

“Olhando para o futuro, toda a atenção estará voltada para os números dos stocks desta semana e, em particular, para a acumulação que vemos em Cushing, o centro de entrega do WTI”, disse Warren Patterson, diretor de estratégia de commodities do ING, também citado pela Reuters.

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