Pandemia provoca queda de 50% dos turistas em março. Foram cerca de 701 mil

Os efeitos do surto de coronavírus começaram a ser sentidos sobretudo em março e os números comprovam isso mesmo. No terceiro mês do ano houve uma queda de 50% no número de turistas.

Os efeitos do surto de coronavírus começaram a ser sentidos, sobretudo, em março e os números comprovam isso mesmo. No terceiro mês do ano, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), houve uma queda de 50% no número de turistas, principalmente devido à perda de hóspedes nacionais. Em termos de nacionalidades, os turistas chineses e italianos caíram cerca de 80%.

Os primeiros casos de infeção apareceram no país no início de março e foi a partir desse mês que os impactos do coronavírus começaram a ser sentidos de forma mais acentuada nos diferentes setores, sobretudo no turismo. Nesse terceiro mês do ano, o INE prevê que tenham passado pelos alojamentos turísticos nacionais 701.000 hóspedes, o equivalente a uma quebra de 49,4% face ao mesmo mês do ano passado. Esta taxa foi retificada pelo INE, cerca de duas semanas depois, para 62,1%.

Deste total, a maioria veio de fora, mas foi o número de residentes que mais abrandou: contaram-se 395.100 turistas estrangeiros, menos 48,8% face ao ano passado, e 306.000 turistas nacionais, o equivalente a um decréscimo de 51,2%. Estas variações foram também revistas pelo INE, a 14 de maio, para 62,8% e 61,3%, respetivamente.

Estes números traduzem-se num corte de 58,5% para 1,9 milhões de dormidas, devido especialmente à quebra observada nas dormidas de não residentes, que caíram 59,2%, enquanto as dos residentes caíram 56,9%. Na hora de escolher onde ficar alojado, o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa (AML) foram as regiões preferidas, enquanto o Centro e a AML observaram as maiores perdas.

“A atual pandemia está a condicionar a atividade da generalidade dos setores económicos, a nível nacional e mundial, particularmente do turismo“, começa por referir o INE, acrescentando que “estes resultados foram também influenciados pelo efeito do período de Carnaval que, este ano, ocorreu em fevereiro e, no ano anterior, ocorreu em março”.

Britânicos lideraram. Chineses afundaram

Os britânicos foram a nacionalidade que liderou nas dormidas nos estabelecimentos turísticos nacionais, num total de cerca de 260.000, mas o número destes hóspedes diminuiu 54,1%. Atrás aparecem os alemães (212.000 dormidas, uma quebra de 58,3%) e os espanhóis (105.900 dormidas e um recuo de 66,1%), mostra a estimativa rápida do INE.

os que passaram menos noites em Portugal foram os chineses, num total de 8.500 dormidas, o equivalente a uma quebra de 78,8%. Nas maiores quedas destaque ainda para os italianos, que totalizaram 29.200 dormidas, numa descida de 75,8%, e para os norte-americanos, com 50.800 dormidas, menos 68,5% do que em março do ano passado.

80% dos estabelecimentos sofreram cancelamentos. Madeira foi a mais afetada

Um inquérito realizado pelo INE a cerca de 4.000 empresas mostra que 79,2% dos estabelecimentos de alojamento turísticos nacionais sofreram cancelamentos de estadias que estavam marcadas entre abril e junho. A maior onda de cancelamentos foi sentida na Região Autónoma da Madeira, com 90,6% dos alojamentos a confirmarem esta tendência. Atrás vem a Região Autónoma dos Açores (89,9%) e a Área Metropolitana de Lisboa (85%).

Proporção dos estabelecimentos com cancelamento de reservas. | INE, março/2020.

Dentro do setor turístico, os hotéis foram o segmento mais afetado pelo cancelamento de reservas devido à pandemia, representando 92,5% do total. Nos estabelecimentos de alojamento local estes corresponderam a 75,8% do total e no turismo de espaço rural e de habitação representaram 68,8%.

Quando questionados sobre as nacionalidades que mais estadias cancelaram, o mercado nacional foi o mais referido, tendo sido identificado por 61,2% dos estabelecimentos inquiridos. Atrás aparece o mercado espanhol, referido por 51,3% dos estabelecimentos, e o mercado francês (30,2%).

Portugueses nunca viajaram tanto como em 2019

No ano passado, antes desta pandemia aparecer em dezembro, os portugueses tinham aproveitado mais para viajar em lazer. De acordo com os dados do INE, em 2019 os turistas nacionais fizeram 24,5 milhões de viagens, mais 10,8% do que em 2018. Este desempenho representa o número mais elevado de viagens feitas da última década e a variação foi “mais do dobro da registada em 2018”, ano em que se ficou apenas pelos 4,2%.

Na hora de escolher para onde ir, a principal escolha foi Portugal. As viagens ao estrangeiro representaram apenas 12,7% do total, tendo subido 24,7% face a 2018. Espanha e França foram os países mais visitados. Por sua vez, as viagens nacionais aumentaram apenas 9%, tendo como principais destinos a região Centro do país (33% do total).

Lazer, recreio ou férias foram a principal motivação dos portugueses, num total de 12,1 milhões de viagens, o equivalente a cerca de metade das deslocações (49,4%). Outras razões foram a visita a familiares e amigos (37,8% do total) e as viagens profissionais ou de negócios representaram cerca de 8% do total.

(Notícia atualizada a 15 de maio com taxas retificadas pelo INE)

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