easyJet está preparada para voar. Mas a “aviação europeia enfrenta futuro precário”

Johan Lundgren, o CEO da easyJet, diz que a companhia britânica está fortemente motivada para retomar operações. Está financeiramente sólida, mas alerta para um futuro desafiante na aviação.

Na easyJet, apenas 5% dos trabalhadores continuam a trabalhar. E é essa pequena parte que tem trabalhado “de forma incansável” para preparar o regresso da companhia britânica aos céus. Ao ECO, o CEO da easyJet reconhece o forte impacto que a atual crise teve na empresa, mas garante que foi possível agir rapidamente para minimizar os efeitos negativos. Johan Lundgren, entrevistado na rubrica diária do ECO, “Gestores em Teletrabalho, conta como a pandemia afetou o setor do avião, que tem pela frente um “futuro precário”.

Atualmente, na companhia low-cost, “todos os que podem estão a trabalhar remotamente”, incluindo o CEO. “Também me encontro a trabalhar em casa e estou a fazê-lo desde que as orientações do Governo do Reino Unido sobre este assunto foram divulgadas”, diz, ao ECO. Johan Lundgren garante que, na empresa, a segurança é “levada muito a sério”. Por isso se adotou o teletrabalho que tem resultado em “muitas chamadas e videoconferências” para manter o contacto entre o responsável e a equipa. “Por enquanto está a resultar, mas devo admitir que mal posso esperar por me encontrar pessoalmente com as pessoas da nossa empresa”.

E foi precisamente a pensar nos mais de 14.000 funcionários em toda a Europa (340 baseados em Portugal) que a easyJet colocou prontamente quase todos em stand-by. “Sendo nós uma companhia aérea, a maioria [da equipa] é composta por tripulação de cabine e pilotos, que não estão a trabalhar atualmente, já que a frota está toda temporariamente imobilizada”, diz o responsável, detalhando que, em Portugal, “a easyJet obteve o apoio extraordinário para a manutenção de contratos de trabalho em situação de crise empresarial, comummente referido como lay-off simplificado”.

Este trabalho está a ser realizado em conjunto com os reguladores, como a EASA e outras agências, e com orientação médica. É provável que passem a existir novas formas de operar, mas ainda não sabemos como serão.

Johan Lundgren

CEO da easyJet

Contudo, embora quase toda a equipa esteja parada, “cerca de 650 funcionários continuam a trabalhar durante este período de suspensão dos voos”, adianta Johan Lundgren, explicando que “muitos estão a fazê-lo para garantir a prontidão da frota”. E mesmo antes de chegar a altura de retomar as viagens, a companhia britânica tem em prática uma estratégia assente em garantir a segurança dos clientes e funcionários. “Este trabalho está a ser realizado em conjunto com os reguladores, como a EASA e outras agências, e com orientação médica. É provável que passem a existir novas formas de operar, mas ainda não sabemos como serão“, afirma o CEO, acrescentando que o objetivo é “voltar ao ativo usando as melhores práticas e em conformidade com o estabelecido pelos reguladores”.

Futuro? “Vai depender do acesso a liquidez”

Johan Lundgren sublinha que “desde cedo”, a empresa focou-se em matérias que considera “determinantes”. Desde logo a “suspensão da operação de toda a frota num processo seguro e bem executado”, seguida do “acesso a liquidez” e de “uma gestão de tesouraria que reduzisse os custos semanais”. “Nestas circunstâncias, estou extremamente orgulhoso da nossa equipa, em todas as áreas da empresa, e da forma como trabalharam durante este período difícil, de forma a colocar-nos na sólida posição em que nos encontramos agora“, diz o responsável.

Questionado sobre os impactos financeiros desta crise para a easyJet, Lundgren não respondeu diretamente. Em vez disso, limitou-se a afirmar que “a performance do primeiro trimestre foi muito forte”, o que “revela a eficácia do modelo de negócio” da companhia aérea. Isto foi possível devido ao facto de a easyJet ter “agido rapidamente para enfrentar todos os desafios” trazidos pelo coronavírus.

Entre esses desafios, o CEO destaca que, em apenas sete semanas, a empresa foi capaz de “lançar uma iniciativa de redução de custos e diminuir drasticamente as saídas de tesouraria”, “suspender a operação de toda a frota num processo bem planeado e executado”, “alcançar um acordo que adiou a entrega de 24 aviões” e executar um “programa de financiamento extra que vai acrescentar quase dois mil milhões de libras” à liquidez da empresa. “Estas ações decisivas expressam que a easyJet está muito bem posicionada para, se necessário, enfrentar uma longa suspensão de operações”, diz.

Embora a grande maioria dos nossos colaboradores não esteja a trabalhar neste momento, há um pequeno número de nós que está a trabalhar de forma incansável para ajudar os nossos clientes e a planear nosso retorno ao céu, assim que tal for possível.

Johan Lundgren

CEO da easyJet

Apesar dos esforços, a easyJet reconhece que o futuro não será fácil para o setor. “Infelizmente a aviação europeia enfrenta um futuro precário e não há garantias de que as companhias aéreas europeias, conjuntamente com todos os benefícios que trazem às várias áreas da sociedade e da economia, vão sobreviver ao que poderia ser um congelamento de conectividade aérea a longo prazo e aos riscos de uma recuperação lenta”, diz o responsável. “Tudo vai depender de como as companhias aéreas vão conseguir manter o acesso à liquidez”, remata.

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