Lusa negoceia moratórias de três meses com clientes de comunicação social

O presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa aponta que tanto "há casos mais problemáticos", como outros que "serão passiveis de recuperação ao longo do ano".

A Agência Lusa está a negociar moratórias de três meses com os clientes da comunicação social, que estão a passar por dificuldades devido à pandemia. Neste esquema, as empresas não irão pagar à agência de notícias durante maio, junho e julho, regularizando a situação nos meses a seguir.

“Há casos mais problemáticos e há outros que serão passiveis de recuperação ao longo do ano“, sinaliza o presidente do conselho de administração da Agência Lusa, Nicolau Santos, à saída de uma audiência com o Presidente da República, em declarações transmitidas pelas televisões.

Apesar das dificuldades pelas quais o setor atravessa, Nicolau Santos garantiu que, em relação ao orçamento da Lusa, a agência terá “capacidade para chegar ao final do ano e acomodar eventuais perdas” que entretanto tenham.

RTP afasta ajudas adicionais

A RTP fez também parte da ronda de audiências com Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente do conselho de administração reiterou que o não se coloca o tema de ajudas adicionais ao grupo, apesar de este não estar incluído na medida de apoio do Governo que contempla 15 milhões de euros em publicidade institucional.

Questionado sobre se a RTP necessita de ajuda, Gonçalo Reis adiantou que “não se coloca o tema de ajudas adicionais para RTP”. “O que está em marcha são pacotes de estímulo à imprensa, e bem”, defendeu.

Sobre o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, Gonçalo Reis referiu que foram abordados temas como a relevância e o papel do jornalismo. “Falámos também sobre o papel da RTP, hoje uma empresa sustentável, uma empresa não problemática, uma empresa virada para a lógica do serviço público”, que “nesta fase tem reforçado a programação em termos de educação, culturais, com muitas apostas no digital e com apoio à produção independente e às indústrias criativas, que também é um papel relevante”, disse.

“O papel da RTP sempre é ter uma lógica de serviço público, ou seja, uma lógica de diferenciação e, em particular, nestas alturas, reforçar tudo o que é programação educativa, que é muito relevante para os cidadãos e vai continuar a ser”, acrescentou.

Sobre a integração de precários, referiu que a RTP, “nos últimos 18 meses integrou 180” pessoas, um “número muito significativo, cumprindo todas as regras”.

Impresa e Media Capital aplaudem apoio. Mas ficou “aquém” do esperado

O presidente executivo da Impresa disse esta segunda-feira que o apoio do Estado de 15 milhões de euros fica “aquém das expectativas”, mas disse concordar com o modelo, e garantiu que o grupo não vai recorrer a lay-off.

“Estamos de acordo com o modelo, é um modelo não assistencialista”, mas o valor “fica aquém das nossas expectativas”, afirmou Francisco Pedro Balsemão. “Tínhamos feito uma proposta que era superior a esta”, disse, sem adiantar o montante. “Agora temos de aguardar pelos critérios de repartição” definidas pelo Estado, acrescentou, apontando que no anúncio da medida o Governo disse que este apoio era “um passo e não seria o último passo”.

O presidente executivo da Media Capital, Luís Cabral, também apontou, esta segunda-feira, que o apoio do Estado com a compra antecipada de publicidade institucional, de 15 milhões de euros, “é muito bem-vindo”, embora o montante seja insuficiente.

“As quebras de investimento publicitário são muito significativas, vamos ter apoio um apoio governamental. Se me perguntar se é suficiente, não é o suficiente, mas é muito bem-vindo e em nome da Media Capital agradeço muito esse apoio porque temos de ser sempre reconhecidos quando nos ajudam”, afirmou Luís Cabral.

Marcelo apoia medida do Governo, mas preocupado com futuro dos media

O Presidente da República considerou que a compra de publicidade institucional é uma boa “medida de urgência” do Governo, mas manifestou-se preocupado com o futuro dos media mais a prazo. O chefe de Estado salientou que “esta crise económica e social naturalmente tem repercussões” no setor dos media.

“E não há democracia sem liberdade de imprensa e não há liberdade de imprensa se os jornais, as rádios, as televisões estiverem falidos. É preciso ver qual é a situação e com o é que se pode encarar a situação e aguentar o que é fundamental para a democracia”, acrescentou, em declarações aos jornalistas, no Chiado, antes das audições.

(Notícia atualizada às 19h30)

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