Centeno admite “falha de comunicação” com António Costa sobre Novo Banco

O ministro das Finanças admitiu, em entrevista à TSF, que houve uma "falha de comunicação" com o primeiro-ministro no processo do Novo Banco.

Mário Centeno admitiu esta terça-feira, em entrevista à TSF, que houve uma “falha de comunicação” com António Costa relativa ao empréstimo ao Fundo de Resolução, o qual foi posteriormente injetado no Novo Banco. A operação de 850 milhões de euros foi realizada um dia antes de, sem conhecimento disso, o primeiro-ministro ter dito no Parlamento que nenhum dinheiro seria entregue ao Novo Banco antes de ser conhecida a auditoria que está em curso.

O ministro das Finanças explicou que houve uma “falha de comunicação” na altura da preparação do debate quinzenal da semana passada entre o Ministério das Finanças e o gabinete do primeiro-ministro. Em causa está a resposta que António Costa deu a Catarina Martins no Parlamento, repetindo a garantia de que não seria entregue mais dinheiro ao Novo Banco sem serem conhecidos os resultados da auditoria da Deloitte.

No entanto, soube-se depois que a operação deste ano prevista no Orçamento do Estado para 2020, que está em vigor desde 1 de abril, já tinha sido realizada um dia antes, o que levou a um pedido de desculpa por parte de Costa ao Bloco de Esquerda.

Porém, Centeno quis afastar a polémica e colocou a ênfase no problema que seria haver uma “falha financeira”, o que seria “desastroso” para a economia portuguesa, principalmente numa altura em que se enfrenta a crise pandémica. “O Ministério das Finanças nunca permitiria tal coisa”, garantiu Centeno, argumentando que seria uma “irresponsabilidade” não cumprir o contrato firmado com a Lone Star na altura da venda do Novo Banco.

Mário Centeno garantiu que, apesar de não ser conhecida a auditoria da Deloitte, “há múltiplos níveis de validação” do Novo Banco. “Não há aqui nenhum euro de desrespeito do dinheiro dos contribuintes”, assegurou, recordando que o Fundo de Resolução tem chumbado “inúmeras operações” propostas pela administração do Novo Banco liderada por António Ramalho.

No total, o Fundo de Resolução injetou 1.035 milhões de euros no Novo Banco por causa dos prejuízos de 2019, isto no âmbito do mecanismo de capital contingente criado em 2017, aquando da venda de 75% do capital da instituição ao fundo de investimento americano.

Este mecanismo funciona como uma espécie de garantia pública, cobrindo as perdas do Novo Banco com um conjunto de ativos tóxicos que foram herdados do BES. Até hoje, o banco liderado por António Ramalho já utilizou cerca de 2,9 mil milhões de euros do mecanismo, sendo que pode pedir os restantes mil milhões até 2026, ano em que termina esta garantia.

(Notícia atualizada às 10h36 com mais informação)

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