Governo prevê que hidrogénio verde possa atrair 7 mil milhões em investimentos até 2030

Portugal quer ter em 2030 5% do hidrogénio no consumo do transporte rodoviário e entre 50 a 100 postos de abastecimento.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2), que será agora submetida a consulta pública e que prevê a “introdução gradual do hidrogénio enquanto pilar sustentável e integrado numa estratégia mais abrangente de transição para uma economia descarbonizada, enquanto oportunidade estratégica para o país”.

“Não temos dúvidas que o hidrogénio é o gás renovável do futuro e a União Europeia anseia que os países apresentem as suas estratégia. Vamos ser o primeiro país a apresentá-la. Queremos ter até 2030 5% do hidrogénio no consumo do transporte rodoviário, entre 50 a 100 postos de abastecimento“, disse em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente da Ação Climática.

Em comunicado, o Governo revelou que “esta oportunidade que o hidrogénio representa para o setor e para a economia poderá traduzir-se, no horizonte 2030, em investimentos na ordem dos 7 mil milhões de euros em projetos de produção de hidrogénio e numa redução das importações de gás natural na ordem dos 300 a 600 milhões de euros“. Além disso, na conferência de imprensa, o ministro acrescentou que estes investimentos terão origem sobretudo no setor privado (pelo menos 85%), com o projeto para fazer nascer em Sines uma mega unidade industria para a produção de hidrogénio, em parceria com os Países Baixos, a levar a maior fatia do bolo, com investimento base de 2,85 mil milhões euros que poderá crescer até aos 4,5 mil milhões.

Para estimular este nível de investimento, além dos mecanismos atualmente em vigor, serão implementadas novas formas de apoio que incentivem o investimento e a integração do hidrogénio, refere o Governo em comunicado.

“Esta Estratégia Nacional para o Hidrogénio tem um grande projeto em Sines, mas tem muito mais do que esse projeto. Em Sines teremos até 2030 a produção de 1GW, mas o nosso objetivo é chegar ao dobro a partir de pequenas fontes de produção, em projetos de menor dimensão”, que alavancarão o restante investimento privado previsto pelo Governo, disse Matos Fernandes. A estratégia agora aprovada quer assim englobar todos os promotores com projetos de hidrogénio em curso ou em fase inicial, como é o caso da portuguesa Dourogás, por exemplo, que já confirmou ao ECO/Capital Verde as suas ambições no hidrogénio.

De acordo com o ministro, “há cinco cadeias associadas à produção de hidrogénio verde em Portugal a partir da água do mar, mas não é só de Sines que falamos. Portugal tem condições invejáveis para produzir hidrogénio e utilizá-lo no seu próprio país durante uns anos, embora este projeto tenha um objetivo de exportação”. Por cá, o ministro lembrou que o hidrogénio servirá para injetar na rede nacional em conjunto com o gás natural tendo em conta que os gasodutos são recentes (têm cerca de 20 anos) e pelo menos 70% podem distribuir hidrogénio.

“Para garantir uma estratégia completa de descarbonização, na qual a eletrificação é fundamental, não quer dizer que não continuem a ser utilizados gases na economia, idealmente renováveis. Aquele que Portugal tem uma maior capacidade de produzir a muito bom custo é o hidrogénio. Complementa a estratégia de eletrificação do país, reforça a segurança de abastecimento, reduz a dependência energética face ao exterior e as emissões, promove o crescimento económico e o emprego”, explicou Matos Fernandes, sublinhando que “o que é caro na produção do hidrogénio é a energia gasta para, a partir de uma molécula de água do mar, isolar o hidrogénio. Mas com o leilão lançado no ano passado obtivemos um recorde do mundo de baixo preço na produção de eletricidade a partir de renováveis. Produzir hidrogénio em Portugal pode ser muito barato“, garantiu o ministro.

O Conselho de Ministros aprovou também esta quinta-feira o Plano Nacional de Energia e Clima 2030, com metas e objetivos claros: alcançar uma incorporação de 47% de fontes renováveis no consumo final de energia, reduzir para 65% a dependência energética e em 35% o consumo de energia primária.

Projetos e iniciativas que o Governo quer dinamizar no âmbito do hidrogénio:

  • Implementar um projeto âncora à escala industrial de produção de hidrogénio verde em Sines, o qual representará um investimento base superior a 2,85 mil milhões de euros, e está focado em alavancar a energia solar, mas também eólica, tirando partido da localização estratégica de Sines, onde será instalada uma unidade com uma capacidade total em eletrolisadores de, pelo menos, 1 GW até 2030, que permita posicionar Portugal como um importante hub de hidrogénio verde.
  • Descarbonização do setor dos transportes, promoção do hidrogénio e dos combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogénio, em complemento com a eletricidade e os biocombustíveis avançados, enquanto solução para alcançar a descarbonização deste setor (rodoviário de transporte de mercadorias e passageiros). Em paralelo serão apoiadas as infraestruturas de abastecimento a hidrogénio, preferencialmente com produção local associado.
  • Descarbonizar a indústria nacional, onde o hidrogénio representa uma oportunidade para a descarbonização de muitos subsetores (ex.: metalúrgica, química, extrativa, vidro e cerâmica, cimento).
  • Implementar um laboratório colaborativo para o hidrogénio, que desenvolverá atividade de I&D em torno das principais componentes relevantes da cadeia de valor do hidrogénio, e que potencie o desenvolvimento de novas indústrias e serviços.

(Notícia atualizada)

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