Huawei não fabrica só telemóveis. Chinesa aposta forte na energia solar em Portugal e Espanha

Até agora, a Huawei já forneceu inversores para mais de 118 GW de projetos fotovoltaicos a nível global, dos quais 8,5 GW na Europa. Em Espanha já tem instalados 1,5 GW. O próximo alvo é Portugal.

Nem só de telemóveis se faz a história da Huawei. De olho na transição energética em curso em todo o mundo, a Huawei está agora a apostar em força na energia solar, tendo já criado uma nova área de negócio — a Huawei Fusion Solar –, presente em 170 países, da China à Argentina, Países Baixos, Espanha, Arábia Saudita, México, Índia, Japão, Turquia, Vietname, Dubai, entre muitos outros.

Em Portugal, esta unidade da empresa está presente desde dezembro de 2019, atuando em três grandes frentes: residencial, comercial e industrial (com painéis em coberturas de edifícios), e utilities (grandes centrais fotovoltaicas). O objetivo da empresa não é fabricar nem vender painéis fotovoltaicos, preferindo focar-se no mercado de inversores, equipamentos indispensáveis a qualquer instalação fotovoltaica, qualquer que seja a sua dimensão, já que convertem a corrente contínua de eletricidade que vem dos painéis solares em corrente alternada, para que esta possa ser injetada na rede elétrica.

Até agora, a Huawei já forneceu inversores para mais de 118 GW de projetos fotovoltaicos a nível global, dos quais 8,5 GW na Europa, com destaque para Espanha, onde forneceu equipamentos para 1,5 GW de centrais solares até ao final do ano passado. Para Portugal ainda não há números fechados, por se tratar de uma unidade de negócio muito recente (criada à boleia do primeiro leilão do solar que se realizou em 2019), mas o objetivo passa por comercializar as tecnologias da marca, como os inversores e as estações de transformação, mas também ferramentas de reporte apoiadas por algoritmos de inteligência artificial. Em franco crescimento, todo o mercado europeu e também o japonês estão no centro das atenções.

Bruno Santo, responsável pela Huawei Fusion Solar em Portugal garante que esta é uma forte aposta da empresa no país com o objetivo de “ganhar uma posição muito relevante junto dos principais players nacionais neste mercado, repercutindo o sucesso da Huawei em Espanha nesta área”. Na sua opinião, “os próximos dez anos são muito promissores em Portugal”. Na Península Ibérica, a Huawei quer também implementar um novo centro de I&D focado na energia solar fotovoltaica.

“De acordo com as prioridades do país e os objetivos de descarbonização e transição energética, e o crescimento que se perspetiva na capacidade solar fotovoltaica (de 830 MW atualmente instalados para cerca de 9GW em 2030), a nossa estratégia é trazer o digital para a indústria solar portuguesa, permitindo que os nossos clientes possam desenvolver projetos inovadores e, a nível financeiro, ter menores custos de geração de energia e garantir um maior rendimento energético”, disse Bruno Santo em entrevista ao ECO/Capital Verde.

Bruno Santo, responsável pela Huawei Fusion Solar em Portugal

Por cá a Huawei Fusion Solar está a apoiar e a desenvolver projetos com grandes entidades líderes neste setor” que obtiveram licenças no leilão de 2019, entre outros, e ao mesmo tempo está também a desenvolver projetos internacionais com empresas portuguesas que estão implementadas a nível mundial. A empresa está já de olho no segundo leilão anunciado pelo Governo para 2020, que será lançado a 8 de junho, com a licitação a começar a 24 de agosto.

“Daí o investimento da Huawei em Portugal, onde os grandes parques fotovoltaicos estão agora a começar. Espanha já tem um avanço de dois ou três anos, e por isso já temos 1,5 GW instalados no país. Todos os grandes parques em Espanha já estão a ser com soluções Huawei. Em Portugal estamos a trabalhar com todas as entidades líderes nesta área e estamos presentes em vários projetos que estão em desenvolvimento e construção em Portugal, depois dos leilões do ano passado. O grosso do deployment será no próximo ano”, prevê Bruno Santo.

E se a Huawei não produz painéis solares (porque a margem de progressão tecnológica destes equipamentos é diminuta), o foco da gigante tecnológica chinesa vai todo para o o mercado de inversores, considerados como “o coração dos projetos fotovoltaicos”. Com dez anos de desenvolvimento, esta área de negócio começou no centro de investigação e desenvolvimento de Nuremberga, na Alemanha, tendo desenvolvido o primeiro projeto fotovoltaico no Reino Unido e só depois iniciado a sua expansão para a Ásia.

Hoje a Huawei é líder mundial na área de inversores, distinguindo-se pela oferta de inversores descentralizados (até para centrais maiores, de 1GW) e pelas soluções que incluem inteligência artificial e redes 5G. “Quisemos trazer a digitalização e a inteligência para a indústria fotovoltaica, porque permitem reduzir custos na geração energia e garantir um maior rendimento energético. Por exemplo: para um projeto de 100 MW, em 15 minutos podemos fazer um reporting de todo o estado do projeto. Tradicionalmente era preciso ir ao local, tirar todos os valores para elaborar um relatório que podia demorar meses. Esta ferramenta fornece ao software um diagnóstico que, em combinação com a inteligência artificial, melhora a operação e manutenção, reduzindo todo o custo operacional”, explica Bruno Santo.

E se em 2019 a Huawei lançou a sua primeira solução solar fotovoltaica que integra inteligência artificial, este ano a empresa quer continuar a desenvolver esta tecnologia, prometendo que o 5G poderá ser parte de um dos pontos de comunicação do solar, quando estiver cá em Portugal. “É uma das mais-valias que a Huawei poderá integrar nas suas soluções”. Quanto à pandemia de Covid-19, Bruno Santo garante que “não vai atrasar o que já estava planeado no solar. Estes projetos de renováveis poderão ajudar a economia. Existe uma necessidade de descarbonização a nível mundial. É um desígnio comum e todos os países estão empenhados nisso”.

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