Lojas de centros comerciais acusam senhorios de “falta de solidariedade”

  • Lusa
  • 22 Maio 2020

Os lojistas dos centros comerciais alertam para as despesas que têm de continuar a pagar, mesmo estando fechados. Por cada 175 mil euros de prejuízo nas lojas, os senhorios têm apenas 1.000 euros.

A Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR) acusou esta sexta-feira os senhorios de “falta de solidariedade” para com os arrendatários, argumentando que por cada 175 mil euros de prejuízo os proprietários têm apenas 1.000 euros.

Trata-se de um “desequilíbrio insuportável” para quem está há mais de dois meses (desde 15 de março) proibido de realizar a sua atividade comercial por determinação do Governo, no âmbito das medidas aplicadas contra a pandemia, refere a AMRR em comunicado. Esta conclusão consta de um estudo, que tem por base os dados contabilísticos de abril dos associados, que ascendem a mais de 1.400 lojas em Portugal, incluindo as ilhas.

A recolha de dados contabilísticos das empresas refere-se a abril deste ano, tendo o inquérito sido enviado a lojistas associados da AMRR e seus franchisados, com as respostas a serem dadas por telefone ou por meios eletrónicos entre 12 e 19 maio, sendo que houve uma taxa de rejeição de um dos inquéritos enviados por meios eletrónicos por não estar completo.

O documento refere ainda que o Governo, “e bem”, mandou encerrar as lojas não alimentares desde meados de março deste ano, devido à situação, mas lamenta o facto de a legislação ter trazido “uma proteção desmesurada” aos senhorios de lojas, seja em centro comercial seja na rua. A associação refere ainda que “as despesas comuns” dos centros comerciais continuaram a ser pagas pelos lojistas mesmo em tempo de confinamento.

O estudo elaborado pela AMRR para se quantificar em euros “a enorme discrepância e desigualdade” que a lei veio trazer explica que por sacrifícios se entendem “os custos que cada parte tem que suportar e não os lucros que cada parte gostaria de ter”. Para a AMRR é “urgente corrigir-se o enorme desequilíbrio” criado pela legislação, quando todos os agentes económicos “estão a ser chamados a responder a um desígnio quase patriótico de promover uma rápida retoma económica”.

A associação exige aos senhorios uma maior participação no esforço exigido aos lojistas, bastando que para tal “aceitem a isenção de pagamento de rendas”, enquanto “as lojas estiverem fechadas” por decisão do Governo. E prossegue: “As contas são fáceis de fazer e os resultados não podiam ser mais demonstrativos da falta de solidariedade dos senhorios com os lojistas”.

Os lojistas alegam ainda que o encerramento das lojas não significa que não existam despesas por parte dos operadores económicos. “Além das rendas (33% da despesa média de cerca 75 mil euros — nos dois meses e meio de encerramento), os lojistas pagam aos colaboradores (28%), incluindo os do lay-off, a mercadoria perdida (16%), os custos fixos (14%) e suportam outras despesas (9%)”, lê-se no documento.

No atual contexto, a AMRR considera que as empresas gestoras dos centros comerciais também devem ser incluídas neste esforço, numa “demonstração clara e inequívoca” de empenho na recuperação da atividade económica.

Apesar de os dados apresentados serem relativos apenas a lojas de comércio, não incluindo os serviços (exemplo manicure) e restauração, a AMRR refere que alguns dos dados recolhidos e não utilizados no estudo permitem concluir que nos serviços as conclusões “são muito semelhantes” às exportas no documento e que na restauração o “cenário é pior”, pois apresentam depreciações de produtos superiores ao comércio em geral.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lojas de centros comerciais acusam senhorios de “falta de solidariedade”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião