Bancos estão preparados para choque do Covid. Lucros sob pressão durante “longo período”, alerta supervisor europeu

Autoridade Bancária Europeia assegura que os bancos estão mais bem preparados do que na anterior crise. Alerta para pressão na rentabilidade do setor e para impacto nos bancos mais frágeis.

Os bancos estão bem preparados para enfrentar o choque provocado pelo coronavírus. Estão mesmo em melhor situação do que estavam à porta da crise financeira de 2008, assegura a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês). Ainda assim, a rentabilidade do setor vai estar sob pressão durante um “longo período”. O supervisor alerta para o impacto da pandemia nos bancos mais frágeis e cujos problemas devem ser resolvidos pelas autoridades o quanto antes.

À partida para a crise provocada pela pandemia, os bancos “estão mais bem capitalizados e com melhor liquidez do que anteriores crises”, destaca a EBA num relatório publicado esta segunda-feira.

Quão melhor estão hoje em dia? “Os bancos detêm agora mais capital e almofadas de liquidez. O rácio de capital common equity tier 1 (CET1) aumentou de 9% em 2009 para perto de 15% no quarto trimestre de 2019 (…). Por outro lado, antes do surto pandémico, os rácios de cobertura de liquidez estavam em média próximos dos 150%, significativamente acima do mínimo regulatório”, explica a autoridade bancária da União Europeia.

Nem tudo são boas notícias, ainda assim. À medida que empresas e famílias vão enfrentando mais dificuldades numa economia a definhar, muitos dos créditos da banca vão deixar de ser pagos. O setor financeiro deverá observar um aumento considerável do chamado crédito malparado. Numa estimativa mais pessimista, a EBA projeta que as perdas com empréstimos possam custar aos bancos até cerca de 3,8 pontos percentuais do seu capital. Isso corresponde a um montante de cerca de 300 mil milhões de euros num cenário extremo, em que os efeitos positivos como garantias dos Estados não foram considerados.

Ao mesmo tempo, o supervisores bancário da UE considera a baixa rentabilidade do setor uma das grandes fraquezas. “Quase metade dos bancos continuam sem cobrir os seus custos de capital”, alerta a EBA. Uma das razões para a baixa rentabilidade tem a ver a deterioração da margem financeira dos bancos, a principal fonte de rendimento para os bancos. Com a crise do coronavírus, os juros deverão ser mantidos em mínimos históricos pelo Banco Central Europeu (BCE), que deverá seguir com políticas ultra expansionistas para animar a economia da Zona Euro.

Nessa medida, com a expectável deterioração da qualidade do crédito a resultar num maior volume de imparidades, a rentabilidade deverá continuar sob pressão por um período ainda mais longo.

A EBA refere ainda que o impacto da crise no setor vai diferir de banco para banco, dependendo, por exemplo, dos níveis de capital e da eficiência operacional antes da crise, assim do dos níveis de exposição aos setores mais afetados pela crise.

Embora assegure que o setor está mais resiliente, a autoridade europeia avisa que poderá haver bancos mais frágeis, incluindo aqueles que já entraram neste crise com problemas idiossincráticos e cujos rácios poderão não ser suficientes para os proteger na tempestade que se avizinha.

Para essas instituições que apresentam maior debilidade, diz a EBA, “as autoridades competentes deverão abordar rapidamente qualquer fragilidade idiossincrática que poderá intensificar-se durante a atual crise”.

(Notícia em atualizada às 15h37)

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