Travão aos dividendos permite à banca absorver 60 mil milhões de malparado

Bancos da Zona Euro retiveram 27,5 mil milhões em dividendos. Montante permitirá absorver cerca de 60 mil milhões de euros de créditos em incumprimento que poderão vir com a crise.

Os bancos da Zona Euro cancelaram cerca de 27,5 mil milhões de euros em dividendos, após o Banco Central Europeu (BCE) ter recomendado a retenção dos lucros para aumentar a capacidade do setor face à crise do novo coronavírus. Segundo o supervisor, tal medida permitirá à banca absorver um aumento do crédito em incumprimento na ordem dos 60 mil milhões.

O BCE recomendou em 27 de março aos bancos que não pagassem dividendos relativos aos exercícios financeiros de 2019 e 2020 enquanto durar a pandemia.

Nesse sentido, a maioria dos bancos seguiu a recomendação, sendo que dos 35,6 mil milhões de euros em dividendos que grandes instituições bancárias contavam pagar relativamente ao exercício de 2019, mais de três quartos desse montante, aproximadamente 27,5 milhões, não foram pagos, enquanto 6,2 mil milhões já tinham sido distribuídos à data da recomendação.

Estes lucros retidos poderão absorver um aumento adicional de cerca de 60 mil milhões de euros, se as provisões para novos créditos em incumprimento (NPL, non performing loans) forem similares às provisões para os NPL que existem”, refere o BCE esta segunda-feira.

Em Portugal, foram vários os bancos que voltaram atrás com a ideia de remunerar os acionistas, entre eles a Caixa Geral de Depósitos, BCP, Santander e BPI. Por causa da crise económica provocada pela pandemia, estes quatro bancos já colocaram de lado mais de 200 milhões de euros em provisões genéricas face às perspetivas de deterioração das condições económicas em Portugal.

Para o BCE, “reter os dividendos é um acrescento importante ao alívio de capital de cerca de 140 mil milhões de euros”. “A recomendação dos reguladores permite aos bancos implementarem estas medidas sem o estigma usualmente associado ao cancelamento dos dividendos já anunciados”, acrescenta o supervisor europeu da banca.

Ainda assim, o banco central sublinha que “o aumento do custo do capital devido às perspetivas de não receber dividendos poderá dificultar as possibilidades de os bancos levantarem fundos privados” em eventuais aumentos de capital que possam vir a necessitar no futuro.

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