Da semente até à garrafa. Vinhos do Alentejo querem ser sustentáveis e vender mais 10%

Objetivo do programa de sustentabilidade é melhorar as práticas utilizadas nas vinhas e adegas e no processo de produção. A maioria dos grandes produtores do Alentejo estão associados a este programa.

O Alentejo exporta mais de 20% da sua produção de vinho e são cada vez mais os mercados externos interessados em produções sustentáveis. A sustentabilidade começa desde a produção de uma vinha até à garrafa final. Solos, gestão e monitorização de água e energia, gestão do ecossistema e resíduos, qualidade do ar, redução do uso de herbicidas com recurso a animais durante o repouso vegetativo da videira, instalação de energia fotovoltaica e recursos humanos com formação contínua são alguns dos fatores a ter em conta.

Ao beber um vinho assente numa produção sustentável sabe imediatamente que está a poupar o ambiente. E numa altura em que a sustentabilidade está em cima da mesa, para muitos esse “rótulo” é muito importante. João Barroso, responsável do Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), está convicto que “um selo a dizer produção sustentável vai traduzir-se num aumento de vendas de 5% a 10%”.

“Vários mercados já pediam aspetos associados com a sustentabilidade, desde os métodos de produção aos valores associados ao consumo de água, energia, o peso das garrafas, entre outros. Tudo fatores que começaram a ser ponderados e analisados com algum peso no momento da escolha de grandes cadeias em vários países”, explica ao ECO/Capital Verde, João Barroso.

Para o responsável do Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo a certificação é uma forma de “criar vantagem competitiva ao produto”. Adianta que o objetivo é conseguir essa certificação de produção sustentável ainda este ano. “Queremos ter no mercado nacional e internacional garrafas de vinho do Alentejo com um selo a dizer produção sustentável”, destaca.

Vendas aumentam, custos diminuem

Para João Barroso um dos objetivos deste programa é “ajudar os produtores a tornar todo o processo, mais sustentável, eficaz e económico”. E no que toca a poupar, quem implementa planos de monotorização de água e luz consegue ter taxas de redução de custos na ordem dos 20% e 30%, respetivamente. “Estamos a falar de indústrias que gastam milhares de litros de água por ano”, explica João Barroso.

Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo tem 411 membros associados, que representam 40% da área de vinho do Alentejo. O projeto tem a maioria dos grandes produtores do Alentejo.

João Barroso

Responsável pelo Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo

João Barroso explica que a região do Alentejo é uma zona onde chove muito pouco e que é preciso ter uma forte consciência do uso dessa água. “Face a esta escassez de água é muito importante o o controlo e monitorização dos consumos. É preciso ajudar os produtores a conseguir otimizar ao máximo os consumos de água”.

No que respeita à sustentabilidade, as práticas vão muito mais além da produção do vinho, existem muitos outros aspetos a ter em conta como o peso das garrafas, o tamanho das rolhas, os rótulos, o origem dos matérias, o uso de caixas de cartão. Para João Barroso é imprescindível “promover o uso de produtos com certificações sustentáveis”.

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana é a única em Portugal a contar com um Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA). Este programa teve início em 2015 e atualmente já conta com 411 membros associados. Cortes de Cima, Herdade do Rocim, Herdade dos Grous, Herdade do Esporão, Adega Cooperativa de Reguengo são exemplos de algumas empresas que já aderiram a este programa de sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo.

“O projeto tem a maioria dos grandes produtores do Alentejo”, refere com orgulho João Barroso. A Comissão Vitivinícola Regional Alentejano tem aproximadamente 1800 viticultores e 280 adegas associadas, sendo que “411 são membros do PSVA o que representa 40% da área de vinho produzido no Alentejo”, refere.

Em 2015, o Programa Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo tinha apenas 12% dos produtores do Alentejo, hoje são cerca de 40%. “Temos quase três vezes mais produtores que aderiram ou à produção integrada ou à produção biológica“, conta o responsável do programa de sustentabilidade.

Para além do Alentejo, João Barroso destaca que “todas as regiões de Portugal têm vários exemplos muito valorosos que trabalham a questão da sustentabilidade”, apesar de considerar que é o Alentejo que se está a destacar mais no panorama nacional.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Da semente até à garrafa. Vinhos do Alentejo querem ser sustentáveis e vender mais 10%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião