Deco cria Dia Nacional da Sustentabilidade em Portugal. Quer consumidor a pagar pelo que polui

Defesa do consumidor entregou na Assembleia da República uma proposta para a criação do Dia Nacional da Sustentabilidade, a 25 de setembro, aguardando agora pela discussão do tema em plenário.

A proposta para a criação de um Dia Nacional da Sustentabilidade já deu entrada na Assembleia da República. Esta quarta-feira, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra e a Deco Proteste aproveitou a ocasião para anunciar o movimento para a criação de mais uma data no calendário nacional para assinalar a luta contra as alterações climáticas e a defesa de um consumo mais local e sustentável.

A efeméride será fixada a 25 de setembro, data que ficou para a História a oficialização pela ONU dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. “É fundamental encararmos o consumidor como um agente de mudança. Os consumidores têm de ser chamados para esta luta, por um planeta melhor, pela preservação dos recursos, pela alteração de modos de vida. Só conseguimos isso explicando-lhes como vão ganhar e poupar com a alteração de comportamentos e de hábitos, sem colocar em risco o seu conforto. É assim que atraímos os consumidores”, explicou ao ECO/Capital Verde Bruno Santos, responsável de public affairs & media relations da Deco Proteste.

Longe vão os tempos do “consumidor passivo” e sem obrigações de sustentabilidade. “Defendemos a criação do princípio de poluidor pagador. O conceito de ‘pay as you throw’. É para aqui que temos de caminhar até 2030. Os municípios têm de conseguir identificar o que cada agregado familiar produz em termos de resíduos sólidos urbanos e adequar a respetiva taxa. Os poluidores pagam e os consumidores sustentáveis são recompensados“.

Esta iniciativa da Deco surge no contexto do projeto europeu “Approved by Tomorrow” (“Aprovado pelo Amanhã”) da Euroconsumers, lançado também recentemente para criar um novo standard de desenvolvimento sustentável, que vai além das dimensões mais tradicionais (social, ambiental, económico), para colocar o consumidor no centro das atenções. Ou seja, como a principal força motriz da transição verde em curso.

“Os consumidores têm o poder supremo de escolher o que compram e assim conduzir as marcas e os mercados para um futuro mais sustentável”, disse também Ivo Mechels, diretor executivo da Euroconsumers, associação da qual a Deco faz parte.

Com iniciativas paralelas de consumo sustentável a decorrer em países como a Bélgica, Brasil, Itália e Espanha, por cá o objetivo é também sensibilizar a sociedade portuguesa para a necessidade de uma mudança de comportamentos e a urgência de uma maior preocupação no âmbito da sustentabilidade. Para pôr a iniciativa em prática, e em marcha, a Deco já entregou na Assembleia da República, no início de março, a proposta oficial para a criação do Dia Nacional da Sustentabilidade, aguardando agora pelo agendamento da discussão do tema em plenário.

A bola está agora do lado dos deputados, mas não só, sublinha Bruno Santos. “É fundamental que os consumidores nos acompanhem nesta missão para, junto da Assembleia da República, conseguirmos o reconhecimento deste dia”. O Estado também tem de “dizer presente”. Empresas, grandes marcas e cadeias de retalho serão outra parte indispensável do processo.

Bruno Santos, responsável de public affairs & media relations da Deco Proteste.

À Deco cabe a missão de mostrar aos consumidores que a alteração de comportamentos traz ganhos materiais: por exemplo: “Se instalar redutores de caudal nas torneiras de casa, não só poupo água, como ganho X euros ao fim do ano. O mesmo na eletricidade. Se instalar painéis solares, a fatura da luz baixa ao final do mês”.

O consumo sustentável pode ir desde a opção de compra de um carro elétrico até uma simples máquina de café. “É um problema que temos hoje em Portugal e que tarda a ser solucionado, pela quantidade de resíduos que as cápsulas de café geram. Na Deco temos testado todas as alternativas possíveis, mas ainda esbarramos com a questão da comodidade para os consumidores. Mas têm de ser eles a pressionar a indústria para encontrar formas menos poluentes. Se bebemos 3 a 4 cafés por dia, ao fim do mês são 90 a 120 cápsulas. Polui, pesa na carteira e na fatura da luz. Ou age o consumidor e deixa de comprar, ou age a marca e muda”, diz Bruno Santos.

Estas e outras dicas de poupança e sustentabilidade estarão disponíveis já a partir desta quarta-feira numa nova página online, futuro portal (https://www.deco.proteste.pt/acoes-coletivas/sustentabilidade), onde os consumidores se podem inscrever e acompanhar todas as ações no âmbito da criação do Dia Nacional da Sustentabilidade.

Bruno Santos explica o porquê da criação de um Dia Nacional da Sustentabilidade. “Embora Portugal ocupe o 15º lugar no Índice dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da União Europeia, a verdade é que ainda não cumprimos nenhum dos 17 objetivos propostos. Encontramo-nos abaixo da média europeia em vários aspetos, nomeadamente na ação climática que, segundo os dados da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, tem tido uma trajetória decrescente no panorama nacional”.

O responsável da Deco salienta ainda que “os efeitos das alterações climáticas, causadas pelas escolhas e comportamentos dos cidadãos, poderão ser nefastos para as gerações vindouras, caso a humanidade não se una para reduzir a sua pegada ecológica. Para cumprirmos as metas propostas pelo acordo de Paris seria necessário diminuir substancialmente as emissões de CO2, chegando a uma taxa de redução de 6% ao ano”.

Nesse sentido, com a criação do Dia Nacional da Sustentabilidade “pretende-se não só contribuir para uma cada vez maior consciencialização da sociedade em relação às alterações climáticas, uma matéria urgente, mas também quanto a outros fatores de sustentabilidade, imprescindíveis para as gerações futuras, incentivando a discussão sobre uma causa que é de todos”, comentou o responsável de public affairs & media relations da Deco Proteste.

Daqui até 25 de setembro, a Deco vai organizar um conjunto de iniciativas, como colóquios e fóruns de discussão, de forma a envolver todos os cidadãos portugueses neste movimento em prol da sustentabilidade.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Deco cria Dia Nacional da Sustentabilidade em Portugal. Quer consumidor a pagar pelo que polui

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião