Juros da dívida portuguesa a dez anos caem abaixo dos 0,7%

Yields da dívida nacional aliviam, em linha com os juros italianos, com os investidores atentos ao plano de recuperação da Comissão Europeia que será divulgado na próxima quarta-feira.

Os juros da dívida portuguesa voltam a aliviar nos mercados internacionais. A taxa de juro a dez anos, referência para a dívida nacional, cai abaixo da fasquia dos 0,7%, regressando a níveis mínimos de final de março. Alívio dos juros acontece também nas restantes principais maturidades, com os investidores atentos ao plano de recuperação da Comissão Europeia que será divulgado na próxima quarta-feira.

A yield portuguesa a dez anos negoceia no mercado secundário nos 0,692%, cerca de dois pontos base aquém dos 0,719% em que encerrou a última sessão. O alívio dá seguimento à tendência decrescente das últimas sessões, colocando a taxa de referência da dívida nacional na fasquia mais baixa desde 30 de março. A quebra também se regista nas restantes maturidades principais. No prazo a cinco anos a yield também recua cerca de dois pontos base face a segunda-feira, fixando-se nos 0,142%. A dois, a yield torna-se ainda mais negativa, fixando-se nos -0,353%.

Juros a dez anos da dívida nacional

Fonte: Reuters

A quebra dos juros portugueses segue em sintonia com os italianos. A taxa de juro a dez anos da dívida de Itália desce para os 1,56%, fixando-se no patamar mais baixo em quase sete semanas, com o spread face à dívida alemã a cair abaixo dos 200 pontos base pela primeira vez desde meados de abril. Já a yield espanhola a dez anos recua para os 0,687%.

O alívio dos juros dos países do sul da Europa acontece um dia antes de ser divulgado o plano de recuperação da Comissão Europeia para fazer face aos efeitos da pandemia.

O plano franco-alemão de 500 mil milhões de euros divulgado na semana passada, com a inclusão de doações para ajudar as economias mais afetadas pela pandemia de coronavírus, elevou as perspetivas de que estados mais ricos ajudem a aliviar a pressão sobre países mais endividados, como Itália.

François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França, disse ainda na segunda-feira que a flexibilidade do Programa de Compra de Emergência Pandémica de 750 mil milhões de euros do BCE, o tornou no instrumento privilegiado para lidar com a crise.

Analistas consideram que essas declarações aumentaram as expectativas de que o BCE provavelmente venha a oferecer mais estímulos quando se reunir na próxima semana.

(Notícia atualizada às 9h25)

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