“Poder de fogo” europeu põe juros de Portugal a 10 anos abaixo de 0,5%

A yield exigida pelos investidores para comprarem dívida nacional tem vindo a recuar nos mercados internacionais, à semelhança do que se verifica na maioria dos países do euro.

Os juros da dívida dos países do euro continuam a deslizar, especialmente os dos soberanos da periferia da Europa. Portugal beneficia deste movimento, com a taxa a 10 anos a baixar da fasquia dos 0,5%. Está em mínimos pré-Covid-19, mantendo-se aquém dos juros de países como Espanha e Itália.

A taxa chegou aos 0,49% no arranque desta semana, atingindo um novo mínimo desde o início de março, quando foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal. Em Espanha, a yield a 10 anos está nos 0,55%, mantendo-se uma diferenciação positiva da dívida portuguesa face à espanhola, sendo ainda maior na comparação com a italiana. A taxa de Itália está nos 1,45%.

Juro das obrigações portuguesas a dez anos cai

Fonte: Reuters

A yield exigida pelos investidores para comprarem dívida nacional tem vindo a recuar nos mercados internacionais, à semelhança do que se verifica na maioria dos países do euro. É uma inversão face às últimas semanas, período em que aumentaram os receios quanto ao impacto da pandemia nas contas públicas dos vários Estados, explicada pela resposta europeia à crise.

Se durante o período de confinamento os juros da dívida se agravaram como os alertas das agências de rating, acabaram por iniciar uma correção a partir do momento em que o Banco Central Europeu (BCE) anunciou um bazuca de 750 mil milhões de euros.

Depois do BCE, foi a vez de a Comissão Europeia avançar com um programa de retoma avaliado também em 750 mil milhões de euros. Com o Fundo de Recuperação, Portugal deverá receber 26,3 mil milhões de euros, divididos entre 15,5 mil milhões de euros a fundo perdido e 10,8 mil milhões de euros de empréstimos.

Este “poder de fogo” europeu está a acalmar os mercados, permitindo que Portugal e outros países do euro emitam nova dívida para financiar os encargos decorrentes da pandemia com custos mais baixos, reduzindo os receios em torno da sustentabilidade das suas dívidas.

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