Quase metade das empresas pretende manter teletrabalho após pandemia

O teletrabalho teve grande aceitação não só por parte das empresas como dos trabalhadores. Quase metade das empresas tenciona manter a atividade ou parte dela em regime de trabalho remoto.

A pandemia veio mudar a forma como trabalhamos e a tendência de transformação do mercado laboral deverá manter-se. Por exemplo, quase metade das empresas portuguesas pretende manter a sua atividade ou parte dela em regime de teletrabalho, mostra um inquérito da CIP – Confederação Empresarial de Portugal revelado esta segunda-feira.

Dados do estudo Sinais Vitais, realizado em parceria com o Future CastLab do ISCTE, revelam que 48% das empresas tenciona adotar o teletrabalho na sua empresa de uma forma permanente mesmo após a pandemia.

“As empresas aderiram muito rapidamente a esta forma de trabalho. Mais de 90% das empresas que o podiam fazer, fizeram-no. Havia alguma inexperiência inicialmente, mas os resultados mostram que foram bem-sucedidas. 10% das empresas respondeu que aumentou a produtividade”, explica Rafael Campos Pereira, vice-presidente da CIP.

O inquérito mostra que, na situação de ter trabalhadores em teletrabalho, mais de duas em dez empresas responderam que a solução preferível seria “manter o teletrabalho todos os dias da semana, com idas pontuais às empresas”. Isto enquanto 50% das empresas considera preferível ter situações de teletrabalho dois ou três dias da semana.

As empresas aderiram muito rapidamente a esta forma de trabalho. Mais de 90% das empresas que o podiam fazer, fizeram-no. Havia alguma inexperiência inicialmente, mas os resultados mostram que foram bem-sucedidas. 10% das empresas respondeu que aumentou a produtividade.

Rafael Campos Pereira

Vice-presidente da CIP

Do lado dos trabalhadores, a resposta também foi favorável, com 57% das empresas a considerar que o teletrabalho teve aceitação elevada ou muito elevada por parte dos seus funcionários.

Mas haverá necessidade de rever o Código do Trabalho? “Por enquanto, não há necessidade de se rever o Código de Trabalho, o qual prevê um acordo entre as partes. É cedo para tirar conclusões, mas queremos fazer uma reflexão mais aprofundada”, refere o dirigente.

Para as empresas, as principais vantagens do teletrabalho prendem-se sobretudo com a redução de custos de funcionamento ou custos das instalações (27%) e com a motivação dos trabalhadores (26%). Também houve quem tivesse considerado que o teletrabalho ajudou a evitar o despedimento imediato. Por outro lado, uma das principais desvantagens assinaladas pelas empresas diz respeito ao risco de maior dispersão do trabalhador em casa.

Embora 10% das empresas diga que a produtividade melhorou, 43% não registou qualquer ganhou ou perda de produtividade em teletrabalho. Outra parte diz estar ainda a avaliar os efeitos.

E apesar de a maioria das empresas não ter tido qualquer experiência da prática de teletrabalho no passado, quase nove em cada dez empresas que recorreu a esta modelo de trabalho considera que os processos internos (de gestão, administrativos, de suporte informático) foram facilmente executados.

Rafael Campos Pereira salienta a evolução na literacia digital das empresas e trabalhadores que permitiu dar este salto. “Tem havido investimento na área tecnológica na cibersegurança por parte das empresas. O teletrabalho permitirá deslocalizar o trabalho e dar maior flexibilidade aos trabalhadores. Temos de ter cuidado que há setores e segmentos das empresas em que o teletrabalho não é possível. Mas estamos recetivos e interessados“, disse.

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