Lufthansa multiplica prejuízos. Avança com forte reestruturação

  • Lusa
  • 3 Junho 2020

Lufthansa planeia reduzir "significativamente" os custos unitários em relação ao ano passado, trabalhando em regime de meio período com 87.000 funcionários.

A Lufthansa teve um prejuízo líquido de 2.100 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, seis vezes mais do que no período homólogo, devido às restrições de viagens devido à pandemia de Covid-19.

A empresa informou que o volume de negócios caiu 18% entre janeiro e março, para 6.400 milhões de euros (7.800 milhões de euros no ano anterior).

“O tráfego aéreo em todo o mundo teve uma paralisação quase completa nos últimos meses. Isso reduziu o nosso resultado trimestral numa dimensão que nunca havia ocorrido”, disse Carsten Spohr, presidente do grupo Lufthansa, na apresentação dos números.

Na segunda-feira, o conselho de supervisão da Lufthansa aceitou as condições da Comissão Europeia (CE) no plano de resgate do governo alemão.

Carsten Spohr anunciou também uma forte reestruturação à medida que a oferta vai recuperando “muito lentamente”.

O grupo Lufthansa planeia reduzir “significativamente” os custos unitários em relação ao ano passado, trabalhando em regime de meio período com 87.000 funcionários.

A Lufthansa vai adiar ou cancelar projetos planeados para reduzir os custos fixos e intensificar os programas de reestruturação na sua subsidiária austríaca Austrian Airlines e na Brussels Airlines.

A Austrian Airlines aprovou uma redução da capacidade a longo prazo, reduzindo os custos de frota e pessoal em 20% e a Brussels Airlines planeia reduzir a frota em 30% e a força de trabalho em 25%.

Os programas de reestruturação e redução de custos também serão implementados noutras subsidiárias do grupo.

O grupo adiantou que estão a decorrer negociações com os fabricantes de aeronaves para adiar a compra de unidades.

A Luftansa está também a estudar a venda de subsidiárias que não fazem parte do seu negócio principal.

Alguns meios de comunicação especularam recentemente que a Luftansa poderia vender a sua subsidiária de serviços de manutenção Lufthansa Technik.

O governo alemão vai tornar-se o acionista maioritário da Lufthansa com um plano de resgate de 9.000 milhões de euros.

A participação pública direta na empresa será de 20% e será realizada mediante a subscrição de ações em aumento de capital.

O governo alemão pode vir a aumentar a sua participação na Lufthansa em 5%, até 25% do capital, comprando dívida conversível em ações ordinárias para proteger a empresa no caso de uma oferta hostil de aquisição.

A empresa já disse no final de abril que espera uma perda maior no segundo trimestre e, no momento, considera que não é possível fornecer previsões precisas para todo o ano de 2020.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lufthansa multiplica prejuízos. Avança com forte reestruturação

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião