BCE vê PIB do euro cair 8,7%. Recessão pode chegar a 12,6% no cenário severo

O reforço do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE) chega ao mesmo tempo em que as suas previsões se tornaram mais pessimistas.

O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a economia da Zona Euro registe uma contração de 8,7% em 2020, seguida de uma recuperação de 5,2% em 2021 e de 3,3% em 2022 no cenário base. No cenário mais severo, o PIB pode cair até aos 12,6%, com uma recuperação de 3,3% em 2021 e de 3,8% em 2022.

Será uma queda a “um ritmo sem precedentes”. As projeções foram atualizadas esta quinta-feira pela equipa técnica da entidade liderada por Christine Lagarde, após ter sido divulgado um reforço da “bazuca” contra a crise pandémica.

A diferença entre as previsões de março e as de junho é abissal. Em março, o BCE via o PIB a crescer 0,8%. Três meses depois, o banco central vê o PIB a cair 8,7% no cenário base, anunciou a presidente do BCE na conferência de imprensa que se segue à decisão de política monetária.

Em 2021, o PIB deve recuperar 5,2%, no cenário base, em comparação com um crescimento de 1,3% em março. Em 2022, o crescimento deverá ser de 3,3%, em comparação com os 1,4% de março.

Também é de notar que existe um cenário mais benigno em que o PIB da Zona Euro contrai 5,9%, seguindo-se um crescimento de 6,8% em 2021 e 2,2% em 2022. Neste cenário, a economia europeia iria recuperar para perto do nível projetado em março deste ano.

Porém, nos outros dois cenários, tanto no base como no severo, o nível do PIB continuará bastante aquém do previsto anteriormente dada a dimensão da crise pandémica. No caso do cenário severo — que prevê um novo surto do vírus e um novo período de fortes medidas de confinamento –, a diferença entre o antes e o depois da crise é de 9,5% no nível do PIB.

De notar ainda que o BCE prevê que a taxa de desemprego suba para os 9,8% no cenário base (8,8% no cenário benigno e no 11,3% no cenário severo) em 2020. Ao contrário das previsões da maioria das instituições, o banco central não vê uma melhoria imediata da taxa de desemprego em 2021, prevendo uma nova subida para os 10,1% em 2021 no cenário base. Em 2022, a taxa baixa para 9,1%, ainda longe dos níveis pré-coronavírus.

Inflação aquém do objetivo pelo menos até 2022

Em termos de inflação, o Banco Central Europeu prevê que a taxa fique nos 0,3% em 2020, acelerando nos anos seguintes para 0,8% em 2021 e 1,3% em 2022. Ainda assim, está longe do objetivo definido pelo mandato do BCE: “perto, mas abaixo de 2%”. Anteriormente, o BCE esperava ter uma taxa de inflação de 1,1% em 2020, 1,4% em 2021 e 1,6% em 2022.

No cenário benigno e no cenário severo, não há grandes diferenças quanto à evolução da taxa de inflação na Zona Euro.

Christine Lagarde explicou que as previsões do BCE, em linha com o que dizem outras instituições, antecipam que o PIB vai ter o seu ponto mais baixo em abril, começando a recuperação em maio à medida que a economia se abre gradualmente. O terceiro trimestre já será de clara recuperação ajudado pela política monetária e orçamental e a abertura da economia a nível mundial. Contudo, “a velocidade e escala da recuperação permanecem com grande incerteza“.

“Em geral, a dimensão da contração e da recuperação irá depender crucialmente da duração e da eficácia das medidas de contenção [da pandemia], do sucesso das políticas para mitigar o impacto adverso no rendimento e no emprego e até que ponto é que a capacidade da oferta e a procura interna são afetadas de forma permanente”, explicou Lagarde, assinalando que o conselho de governadores vê mais riscos descendentes do que ascendentes.

Os valores oficiais divulgado esta quinta-feira vão ao encontro do que Lagarde antecipou na semana passada: a recessão da Zona Euro estará entre 8% a 12% este ano. “Estamos a falar de uma contração económica, num só ano, na Zona Euro, maior à da crise financeira [de 2008/2009]”, disse então a presidente do BCE, referindo que a quebra pode vir a ser o “dobro”.

(Notícia atualizada às 14h49 com mais informação)

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