Esgotaram os cheques para as empresas comprarem elétricos. Sobram 200 para particulares

Há muito que os pedidos superaram os incentivos disponíveis, mas só agora o Governo entregou o último "cheque" para as empresas comprarem carros elétricos. De 814 candidaturas, deu apenas 300.

Assim que abriram as candidaturas, “choveram” candidaturas de empresas a pedirem o Incentivo pela Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões. Em pouco mais de 24 horas superaram o total de “cheques” disponibilizados pelo Executivo, mas só agora, três meses depois, foram entregues os 300 apoios previstos. Para os particulares ainda há, mas restam poucos.

Depois de praticamente uma semana em que o total de apoios validados a pessoas coletivas ficou “congelado” nos 299, o total de candidaturas aceites pelo Fundo Ambiental, responsável pela gestão destes incentivos, chegou aos 300, o número máximo previsto, correspondente a uma verba de 600 mil euros.

O número de “cheques” para pessoas coletivas revela-se manifestamente insuficiente, tendo em conta o número de candidaturas apresentadas para o apoio à compra de veículos elétricos. No dia em que o último cheque foi passado, contavam-se 814 pedidos de acesso a este incentivo que, neste caso, ascende a um valor de 2.000 euros (estando limitado a quatro por cada empresa).

A procura pelo apoio à compra de veículos “amigos do ambiente” superou, assim, em 2,7 vezes o total disponibilizado pelo Governo no caso dos automóveis ligeiros de passageiros. No caso dos “cheques” para a aquisição de veículos ligeiros de mercadorias que sejam elétricos, ainda há muitos para serem reclamados, tanto pelas empresas como pelos particulares. Dos 300 apoios de 3.000 euros disponíveis, foram solicitados apenas 34 e entregues 23.

Pandemia trava particulares

Enquanto no caso das empresas já foram entregues todos os “cheques”, no caso do particulares não se verifica o mesmo. Foram entregues 500 destes apoios de 3.000 euros, cada, de um total de apenas 555 pedidos. Este ano, o primeiro em que foi feita a diferenciação entre particulares e pessoas coletivas no caso dos veículos elétricos de passageiros, os particulares ficaram com a maior “fatia”, sendo disponibilizados 700 apoios.

Depois de se terem multiplicado os pedidos após a abertura das candidaturas, a pandemia do novo coronavírus abrandou de forma expressiva os pedidos submetidos no site do Fundo Ambiental. De tal forma que continuam disponíveis 200 destes apoios, correspondentes a um montante de 600 mil euros (o mesmo que o total dos “cheques” dados às empresas).

Em março, as vendas de carros elétricos ainda cresceram, chegando perto das mil unidades, mas em abril e maio, à semelhança do que aconteceu com o resto do mercado automóvel, as vendas afundaram. Caíram para cerca de um terço dos meses anteriores, com a Renault e a Nissan a liderarem o ranking, mas com apenas 48 e 41 unidades comercializadas, respetivamente. A Nissan ocupa, no total do ano, a segunda posição, atrás da Tesla que lidera com 670 Model S, X e 3 a mais nas estradas nacionais — destes três modelos, só o 3 é elegível para o apoio que limita o valor do veículo a adquirir a um valor de 62.500 euros.

Duas rodas? Portugueses querem bicicletas elétricas

Além dos carros elétricos, o Incentivo pela Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões deste ano — que conta com uma dotação global de quatro milhões de euros — destinou 350 mil euros para as duas rodas movidas a eletricidade, havendo mais 50 mil euros para apoiar a compra de bicicletas convencionais. Nenhum destes apoios está ainda esgotado.

Os dados do Fundo Ambiental mostram que são as bicicletas elétricas que atraem mais portuguesas, registando-se 765 pedidos, com 491 destes “cheques” já nas mãos dos que se candidataram — o apoio é de 50% do valor de compra, até um máximo de 350 euros por cada “cheque”. No casos das motas elétricas, há apenas 23 pedidos, tendo 18 sido validados, até ao momento.

No caso das bicicletas convencionais, foram preparados 500 destes apoios, mas três meses volvidos e foram recebidos apenas 150 pedidos para um apoio que não vai além de 10% do valor da bicicleta, estando limitado a um máximo de 100 euros. E ainda nem uma centena destes recebeu a “luz verde”.

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