Um irlandês, uma espanhola ou um luxemburguês. Um deles vai substituir Centeno no Eurogrupo

O mandato de Mário Centeno à frente do Eurogrupo termina a 13 de julho. No dia 9, os ministros das Finanças da Zona Euro têm de escolher o seu sucessor e já há 3 candidatos.

Mário Centeno foi o primeiro português a presidir ao Eurogrupo, tendo cumprido o mandato de dois anos e meio, mas ao contrário dos seus antecessores não vai recandidatar-se para continuar à frente do grupo informal dos ministros das Finanças da Zona Euro. O seu sucessor será um irlandês, uma espanhola ou um luxemburguês.

Esta quinta-feira terminou o prazo para os países apresentarem candidaturas para a presidência do Eurogrupo. Foram três os Governos que avançaram, segundo divulgou Centeno: Espanha, Irlanda e Luxemburgo. “Este excelente conjunto de candidatos mostra a relevância atual do Eurogrupo para assegurar a estabilidade e a prosperidade na Zona Euro“, escreveu o ex-ministro das Finanças e ainda presidente do Eurogrupo.

Para ser eleito, o candidato a presidente do Eurogrupo terá de contar com o apoio de pelo menos 10 dos 19 países da Zona Euro. O vencedor será anunciado após o fim da votação a 9 de julho. O mandato do próximo presidente deverá começar a 13 de julho e será de dois anos e meio.

Se nenhum dos candidatos receber 10 votos, os candidatos terão a oportunidade de retirar a sua candidatura e a votação repete-se até que um dos candidatos consiga uma maioria simples.

Após falhar FMI, Calviño tenta Eurogrupo

É a vice-presidente do Governo espanhol, liderado por Pedro Sanchez, e uma veterana de Bruxelas. Nadia Calviño foi recentemente um dos nomes em cima da mesa para ser a próxima diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), após a saída de Christine Lagarde para o Banco Central Europeu (BCE), mas acabou por ser Kristalina Georgieva a assumir o cargo. A espanhola continuou assim a ser ministra da Economia.

Chegou a este cargo após longos anos a trabalhar como técnica na Comissão Europeia, nomeadamente enquanto diretora-geral do departamento do Orçamento Europeu, tendo acumulado reputação e contactos dentro das instituições europeias, o que poderá ser um ativo da sua candidatura. Contudo, a seu desfavor tem o facto de Espanha já ter dois altos cargos da União Europeia: alto representante das Relações Externas, Josep Borrell, que também é vice-presidente da Comissão Europeia; e Luis de Guindo, que é vice-presidente do BCE.

Numa longa carta de motivação entregue hoje, Nadia Calviño usa a sua experiência europeia para argumentar que é a melhor candidata ao cargo que nunca foi ocupado por uma mulher. Calviño promete ter em atenção “as diferentes sensibilidades” que existem no Eurogrupo para conseguir construir “consensos” à volta das matérias que vão passar pelo Eurogrupo nos próximos meses. “Temos de estar mais unidos e coordenados do que nunca”, conclui.

Irlanda avança com Paschal Donohoe

Donohoe assumiu o cargo de ministro das Finanças da Irlanda em junho de 2017 e o seu partido, de centro-direita, Fine Gael está na fase final de acordar um novo programa para um governo com o Partido Verde e o Fianna Fail. Entretanto, o ministro das Finanças quer tentar chegar à presidência do Eurogrupo: “Como um dos mais antigos ministros das Finanças da União Europeia e membro do Eurogrupo, seria uma honra enorme liderar o grupo nos seus desafios e oportunidades que os próximos anos apresentam“, afirmou no Twitter, quando anunciou a sua candidatura.

Já desde 2014 que o irlandês é ministro no Governo, tendo passado pelos transportes e turismo antes de chegar às finanças em 2016. Na carta de motivação, Donohoe usa a sua experiência também como um argumento para ter apoio dos restantes países e garante que trabalhará “de forma eficiente para dar resposta aos desejos dos membros do Eurogrupo e os melhores interesses dos cidadãos europeus e da Europa”.

Luxemburgo tenta nova candidatura

Pierre Gramegna quer ser o segundo luxemburguês a presidir ao Eurogrupo, depois dos vários mandatos de Jean-Claude Juncker no início deste grupo informal da Zona Euro. O ministro das Finanças do Luxemburgo anunciou a sua intenção no Twitter: “Os importantes desafios atuais requerem consenso e compromisso entre todos os membros da Zona Euro — pequenos ou grandes, sul ou norte, este ou oeste”, escreveu na sua conta, referindo que usará a sua experiência de 6 anos neste cargo, se vier a ser eleito.

Na carta de motivação, Gramegna diz que repete o seu compromisso com a procura por consenso: “Irei dedicar o meu tempo como presidente do Eurogrupo a juntar os vários lados e considerar todos os aspetos de forma a encontrar o denominador comum que seja aceitável para todos”, escreve, referindo que a sua experiência negocial no atual Governo de três partidos no Luxemburgo é um ativo nesta candidatura.

Um destes três nomes será o quarto presidente do Eurogrupo, após Jean-Claude Juncker, Jeroen Dijsselbloem e Mário Centeno.

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