Centeno dá conselho ao sucessor no Eurogrupo: “Manter sempre os ministros acordados”

Na primeira entrevista após a saída do Governo, o ainda presidente do Eurogrupo brincou com a "fama" das longas reuniões. Deixou mesmo um conselho ao sucessor: é preciso manter os ministros acordados.

Mário Centeno tem um conselho para dar a quem quer que o substitua no Eurogrupo: há que “manter sempre os ministros das finanças acordados” durante as reuniões, disse, numa entrevista à conceituada newsletter Brussels Playbook, editada pelo Politico.

Segundo a publicação, trata-se de uma referência à “fama” do ex-ministro das Finanças português de permitir que as reuniões do Eurogrupo se estendessem por muito longos períodos de tempo, algumas até pela madrugada dentro. “Mesmo quando não havia um sentido de urgência nas deliberações”, escreve o jornal.

Na mesma entrevista, Mário Centeno, que se mantém presidente do órgão que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro até julho, antecipou que o contexto atual deverá garantir uma eleição rápida do seu sucessor (ou sucessora). “O ambiente atual é politicamente mais difícil por causa da crise do Covid, pelo que deve haver um sentido de urgência que não havia em 2017”, disse o ex-ministro das Finanças português.

Mário Centeno demitiu-se na semana passada do cargo de ministro das Finanças. Mantém-se na liderança do Eurogrupo até julho.Paula Nunes / ECO

“Agora não é o momento para uma crise existencial” na UE

A um dia de uma reunião do Conselho Europeu, na qual será discutida a proposta de Bruxelas para constituir um fundo de 750 mil milhões de euros (500 mil milhões em subsídios e 250 mil milhões em empréstimos) para ajudar os países a saírem da crise, Centeno considerou que “agora não é o momento para uma crise existencial” na União Europeia (UE).

Com os líderes europeus longe da unanimidade necessária para o fundo avançar (Suécia, Dinamarca, Holanda e Áustria são fortemente contra os subsídios), Centeno disse ao Politico que agora não é o momento para discutir se a Comissão deve ter mais poderes ou os Estados-membros terem menos. “Isto não é sobre instituições. As instituições existem e têm de desempenhar os seus papéis”, indicou.

Ainda assim, Centeno mostrou-se confiante de que o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, conseguirá um acordo: “Todos sabemos que isto é altamente exigente em termos do exercício das negociações. É duro”, indicou. Mas reiterou: “Tenho a certeza de que ele vai conseguir.”

Centeno espera que a crise incentive a coordenação económica

Três dias após ter passado a pasta das Finanças de Portugal a João Leão, depois de um pedido de demissão apresentado pelo próprio, Mário Centeno falou ainda sobre as perspetivas para o futuro da UE. Concretamente, o ex-ministro disse contar que a crise espoletada pelo Covid-19 incentive a uma maior coordenação económica no bloco.

Nesse sentido, Centeno disse ver com bons olhos a proposta de Bruxelas de associar o recurso a dinheiro do fundo de recuperação às recomendações do Semestre Europeu, o que poderá suportar essa mesma coordenação. Questionado pelos jornalistas do Politico se o dinheiro é mais bem aplicado pelos países se houver “um risco” (ainda que “muito teórico”) de castigo, o ex-ministro respondeu afirmativamente.

“Estamos a lidar com economias e incentivos. Se queremos que algo seja relevante, precisamos de uma dimensão orçamental a essas recomendações [do Semestre Europeu] e agora temos isso e não podemos perder essa oportunidade”, apontou.

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