Polónia pode compensar impacto de Portugal nas contas da Jerónimo Martins. Retalhista ainda admite dividendos

Biedronka ganhou quota de mercado e aumentou as vendas durante a pandemia. A resiliência da cadeia de supermercados deverá compensar parte do rombo nas receitas do português Pingo Doce.

O reforço das vendas na Polónia poderá compensar o rombo que a pandemia vai causar nas contas da Jerónimo Martins. Na assembleia-geral desta quinta-feira, a administração comunicou aos acionistas o aumento da quota de mercado da Biedronka e apontou que ainda há esperança para os dividendos.

“O que o presidente [Pedro Soares dos Santos] nos transmitiu foi que a operação na Polónia está a correr muito bem e vai ser um efeito positivo. Há um ganho de quota de mercado e a Biedronka vai fazer toda a diferença em 2020“, conta Carlos Rodrigues, presidente da Maxyield – clube dos pequenos acionistas, sobre a mensagem transmitida na assembleia geral de acionistas.

No primeiro trimestre do ano, os lucros da Jerónimo Martins caírem 43,8% para 35 milhões de euros devido ao efeito da pandemia em março. Apesar da quebra no resultado líquido, as vendas do grupo — para as quais a cadeia polaca Biedronka pesa 69,2% do total — subiram numa base comparável 9,5% para 4.715 milhões de euros. Questionada pelo ECO sobre a perspetiva para o total do ano, fonte oficial da Jerónimo Martins confirmou o reforço no negócio da Biedronka também no segundo trimestre.

Em abril, a Biedronka decidiu alargar o horário de funcionamento das lojas para facilitar o acesso aos consumidores. Em resultado, apresentou um desempenho bastante resiliente, com as vendas a crescerem 6,5% (em moeda local) e com um forte aumento da quota de mercado.

Fonte oficial da Jerónimo Martins

Vendas subiram no primeiro trimestre apesar da pandemia

Fonte: relatório trimestral da Jerónimo Martins

“Em abril, sob medidas estritas de circulação de pessoas e com limites relativamente ao número máximo de clientes por loja, a Biedronka decidiu alargar o horário de funcionamento das suas lojas para facilitar o acesso aos consumidores. Em resultado, apresentou um desempenho bastante resiliente, com as vendas a crescerem 6,5% (em moeda local) e com um forte aumento da quota de mercado“, explica a empresa, remetendo mais informação para a divulgação dos resultados semestrais a 29 de julho.

Na Polónia, as medidas de confinamento devido à pandemia de Covid-19 não foram tão restritivas como em Portugal. No retalho nacional, é expectável que o Recheio seja especialmente penalizado pelo encerramento de hotéis e restaurantes. O consenso entre os analistas que seguem a cotação da Jerónimo Martins aponta para um aumento de 3,4% das receitas para 19.267 milhões, mas uma quebra de 12,5% para 379 milhões.

Dividendos ainda em aberto

Os receios face ao impacto da pandemia levou a empresa a cortar o dividendo, mas os acionistas ainda poderão ter boas notícias este ano. Em maio, a administração da Jerónimo Martins decidiu rever em baixa a proposta de remuneração aos acionistas relativos aos lucros de 2019. Neste momento, a empresa tenciona pagar 130,1 milhões de euros, sendo que esta nova proposta representa uma redução de 86,7 milhões de euros face à anterior remuneração acionista prevista de 216,8 milhões de euros.

Esta distribuição corresponde a um dividendo bruto de 0,207 euros por ação. Logo na altura, o conselho de administração da retalhista dizia que não excluía a possibilidade de vir a propor, com base nas reservas livres da sociedade, a distribuição, até ao final do ano, do valor da diferença face ao inicialmente previsto.

A decisão está dependente da evolução da situação epidemiológica e respetivos impactos nas contas da empresa. Aos acionistas, voltou a reiterar essa possibilidade: “O presidente admite que este ano possa ainda pagar, em reservas livres, o diferencial entre o que pagam agora e o payout de 50%“, acrescentou Carlos Rodrigues, da Maxyield, sobre a reunião magna.

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