Wirecard dispara 150% em bolsa. Garante que vai continuar a funcionar

Fintech alemã negociou em forte alta na bolsa alemã. Ações superaram os 3 euros, mas estão longe dos 100 euros a que negociavam antes de buraco financeiro ter sido descoberto.

Dos 100 euros a apenas um euro por ação, o valor da Wirecard em bolsa tem caído a pique nas últimas semanas. Na sessão desta segunda-feira, o caminho foi inverso e a fintech alemã — que está envolta num escândalo financeiro — recuperou uma parte do valor, tendo disparado mais de 150%.

“A Wirecard, empresa alemã de pagamentos, é inquestionavelmente a ação mais quente da semana. Embora não seja completamente incomum ver o preço das ações subir ou cair drasticamente, isso raramente acontece com empresas de índices blue-chips! O Wirecard perdeu mais de 90% em valor na semana passada e há fortes razões fundamentais por trás da queda“, diz André Pires, analista da XTB.

O trigger foi um buraco financeiro de quase dois mil milhões de euros nas contas da empresa. O problema foi identificado pela auditora, que se recusou a assinar as contas. O montante representava cerca de um quarto do balanço da Wirecard e a informação disponível indicava que os fundos estariam no sistema financeiro das Filipinas, para facilitar a concretização de operações com outras empresas.

Contudo, as autoridades financeiras do país consideraram provável que esse dinheiro não exista ou sequer tenha entrado no sistema financeiro filipino. A própria empresa o reconheceu. O CEO, Markus Braun, não só se demitiu como já foi detido em Munique por suspeitas de manipulação de mercado e divulgação de demonstrações financeiras falsas. Além dos gestores, também a conduta do regulador financeiro alemão, o BaFin, está a ser alvo de avaliação depois de a Comissão Europeia ter aberto uma investigação formal.

O caso levou o preço das ações a afundar desde 104,50 euros até ao mínimo de 1,08 euros tocado na sexta-feira. No arranque da nova semana, as ações tomaram um caminho diferente: dispararam 154,5% para 3,26 euros após a empresa ter dado garantias, durante o fim de semana, de que iria continuar a operar apesar de ter entrado em processo de insolvência.

No entanto, o valor da empresa continua muito abaixo daquele que tinha antes da descoberta. E as perspetivas não são positivas. “E agora? Os processos de insolvência abrirão caminho para os credores recuperarem o seu capital”, aponta Pires.

“Há uma pequena probabilidade de que estes permitam uma reestruturação, mas a Wirecard precisaria apresentar fortes evidências de que poderia funcionar como a situação atual. Tal pode ser complicado, pois a Visa e a Mastercard provavelmente vão cortar os laços com a empresa caso esta não encontre os 1,9 mil milhões de euros. Sem Visa e Mastercard, o negócio de cartões de crédito da Wirecard não terá como sobreviver… e sem o negócio de cartões de crédito, o Wirecard não tem nenhum negócio“, acrescenta.

Ações valiam 100 euros há menos de um mês

Fonte: Reuters

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