Ajuda pública à mutualista Montepio? “A questão não faz sentido”, diz presidente

Virgílio Lima diz que não faz sentido colocar a questão de um eventual apoio público à Associação Mutualista. Defendeu que valor de uso do banco é superior aos 1.500 milhões.

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) considera que a questão de um eventual apoio público “não faz sentido”. Virgílio Lima argumenta que a instituição com mais de 600 mil associados apresenta uma situação de cobertura das responsabilidades de 125% e tem potencial para a “realização de valores” com outros ativos.

“A situação é de cobertura de responsabilidades, há potencial de realização de valores (…). Se a pergunta é para associação, não é uma situação de capital. Não compreendemos porque é que a questão surge. Nessa medida, não é uma questão de descartar, é uma questão que não faz sentido na nossa leitura“, referiu Virgílio Lima durante uma conferência com os jornalistas para explicar os resultados da AMMG de 2019.

A mutualista apresentou um prejuízo histórico de 409 milhões de euros, devido sobretudo à desvalorização do Banco Montepio, que implicou uma imparidade de cerca de 370 milhões. As contas foram aprovadas por larga maioria na assembleia geral de associados realizada esta terça-feira.

A questão da desvalorização do Banco Montepio por parte da PwC voltou a ser contestada por Virgílio Lima, que defendeu que o seu valor de uso para a AMMG é superior aos 1.500 milhões de euros registados atualmente no balanço da mutualista.

“O valor do banco foi assumido pelo conselho de administração da AMMG. Assumimos isso. Mas esse valor deverá ser ponderado pelo seguinte: pelo conceito de justo valor ou valor de mercado ou valor de uso. A utilidade do banco está para além do valor imediato (…). A norma diz que deve ser escolhido o maior de dois valores”, explicou Virgílio Lima.

Entre os vários argumentos apresentados para o valor de uso do banco está o facto de tanto a mutualista como o banco terem vivido “geminados” durante 175 anos e o facto de os associados serem também clientes do banco e aqueles que dão maior rendimento. Por outro lado, o banco não está à venda, ou seja, é um ativo da AMMG não transacionável.

Apresentação de resultados da Associação Mutualista Montepio - 01JUL20

Virgília Lima afirmou poderão ser revertidas as imparidades com o banco, assim como com outras participadas da mutualista, que superam os 1.000 milhões de euros. Ou seja, “há um potencial de realização de valor”, defendeu, além de outros projetos da AMMG que serão fontes de valor no futuro, nomeadamente um conjunto de ativos imobiliários com valor superior a 100 milhões de euros.

Sobre o banco, o gestor sublinhou ainda que gostaria que fosse acelerada a limpeza do balanço, que conta atualmente com cerca de 2.000 milhões de euros em ativos não produtivos (1.400 milhões em crédito malparado e 500 milhões em imóveis). Isto porque o elevado nível de ativos problemáticos “consome capital” e também porque a sua alienação poderão representar mais-valias para o banco, logo reforçando os rácios. “Nesses 2.000 milhões há margem para escolher os ativos” que possam dar ganhos, frisou o presidente da mutualista.

Outra questão que mereceu a contestação de Virgílio Lima: os ativos por impostos diferidos, avaliados em 833 milhões de euros, que a PwC considerou “sobreavaliados” na reserva por desacordo que colocou às contas da mutualista. Segundo o líder da AMMG, que assumiu o cargo em dezembro com a saída de Tomás Correia, esta divergência resulta de diferentes interpretações das normas contabilísticas, argumentando em seu favor que outras duas auditoras (a KPMG e a BDO) consideraram o nível de DTA adequado.

Virgílio Lima adiantou ainda que os novos estatutos já terão sido aprovados pela Direção-geral da Segurança Social, pois vão ser registados de forma provisória. Segundo explicou, há alterações a fazer no que diz respeito a aspetos do regulamento de benefícios que a tutela quer ver nos estatutos. Até final do ano haverá eleições para o novo órgão a ser criado, a Assembleia de Representantes, que substituirá o conselho geral. E eleições gerais? “Estamos a meio do mandato”, rematou Virgílio Lima, não prevendo antecipar o ato eleitoral que deverá ocorrer só no final do próximo ano.

(notícia atualizada às 12h49)

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