Há menos 104 mil pessoas empregadas em maio. Inativos continuam a esconder o desemprego

Os resultados provisórios para o mês de maio apontam para uma taxa de desemprego de 5,5%, o que compara com 6,3% em abril.

O número de pessoas empregadas em Portugal voltou a cair em maio — 104 mil pessoas deixaram de ter emprego, indicam os dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, a taxa de desemprego desceu para 5,5% em maio, um valor que compara com a taxa de 6,3% registada em abril deste ano, ou seja, verificou-se uma descida de 0,8 pontos percentuais (p.p.), na variação em cadeia. Esta descida é acompanhada por um aumento da percentagem de inativos que subiu dois pontos percentuais, ou seja, pessoas que já não são elegíveis para receber subsídio de desemprego.

Entre fevereiro e maio, “aumentou significativamente o número de inativos que se integram em dois grupos que estão na fronteira com a população ativa: inativos que, embora pretendam trabalhar, não fizeram diligências ativas para procurar trabalho e inativos que, embora pretendam trabalhar e tenham procurado ativamente trabalho, não estavam disponíveis para iniciar trabalho na semana de referência ou nas duas semanas seguintes”, explica o INE.

Também nesse período, correspondente à pandemia, “assistiu-se a uma forte redução do emprego de 4,0%”. Desta forma, a taxa de subutilização de trabalho, que é um indicador que “inclui a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego”, segundo a definição do INE, situou-se já em 14,2% em maio, mais 0,8 p.p. que no mês anterior.

Já a estimativa provisória da população empregada é de 4.646,6 mil pessoas, no quinto mês do ano, o que representa um decréscimo de 2,2% (104,9 mil) em relação ao mês anterior. Por outro lado, a população desempregada é de 267,9 mil pessoas, registando uma diminuição de 50,9 mil face a abril, número que é, no entanto, influenciado pela atual situação.

A pandemia afeta assim as estatísticas, por exemplo, fazendo com que as pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efetivamente perderam o seu emprego devido à pandemia poderem agora ser classificadas como inativas, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas.

(Notícia atualizada às 12h10)

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