BE e PCP querem auditoria à gestão privada da TAP. CDS quer Estado fora “logo que possível”

Há convergência dos partidos de esquerda em relação à ideia de uma auditoria à gestão da TAP, liderada por Antonoaldo Neves. "É importante que o país perceba o que se passou."

O Bloco de Esquerda e o PCP já se pronunciaram em relação à decisão do Estado ficar com 72,5% da TAP. Os partidos mostram-se preocupados com a reestruturação e pedem uma auditoria à gestão privada da TAP. Já o CDS quer o Estado fora da empresa “logo que possível”.

“Defendemos uma auditoria à gestão privada que tivemos até agora. […] É importante que o país perceba o que se passou durante esta gestão privada e também para salvaguardar parte do erário público com essa mesma auditoria. É importante avançar com uma medida dentro deste género”, defendeu a deputada bloquista Isabel Pires.

“O escrutínio à gestão privada da TAP parece-nos essencial”, esse tipo de auditorias é que garante que depois o Estado possa ser ressarcido de qualquer gestão que tenha sido lesiva para o interesse e erário público”, defende a deputada.

O Bloco manifesta ainda que é necessário perceber qual vai ser plano estratégico que o Governo tem para a TAP. “É preciso também defender a questão da gestão, perceber qual é que vai ser o modelo de gestão que vai ser escolhido para a TAP”, explica a deputa do BE.

O Bloco de Esquerda que sempre defendeu a nacionalização da TAP considera que o facto de o Estado passar a deter 72,5% do capital da TAP fica aquém das expectativas do partido. “Não existe uma garantia de controlo e gestão pública a 100% como nos defendíamos e fica aquém porque ainda não se conhece o plano estratégico e o plano de reestruturação e isso vai ser essencial”, esclarece Isabel Pires.

Quanto ao PCP, o partido também defende que existe a necessidade de apurar responsabilidades e perceber que os “interesses privados estão a mais”. “Apurar exatamente as opções que forma assumidas a longo dos anos, as suas responsabilidades e consequências, mas de uma forma muito clara e concreta, decidida. Assumir o controlo público efetivo da TAP, não permitir que seja serviço de interesses privados que a TAP venha a assumir as suas opções no futuro”, defende o deputado comunista Bruno Dias.

O deputado corrobora a ideia do Bloco e defende que o Estado deve ter o “domínio pleno da companhia” e que a TAP “deve ser um instrumento de desenvolvimento e soberania e não deve ser condicionada a imposição de outros”, conclui Bruno Dias.

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) também já reagiu e espera que o reforço do capital público na TAP tenha reflexos ao nível da gestão da empresa e defendeu que os privados “não devem fazer parte da equação e da solução”.

“Consideramos que o controlo público é a única forma de colocar a TAP ao serviço do desenvolvimento do país, da economia e de Portugal”, disse o deputado José Luís Ferreira.

CDS quer Estado fora da empresa “logo que possível”

O CDS-PP considerou positiva a solução para a entrada do Estado na TAP ter sido feita “por acordo”, quer saber mais pormenores do acordado e defende que deve deixar de ser acionista “logo que possível”.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado centrista João Gonçalves Pereira afirmou que o “acordo é certamente melhor do que o Estado nacionalizar toda a empresa”, mas exigiu mais elementos sobre esse acordo.

Gonçalves Pereira acredita que o Governo dará à Assembleia da República mais pormenores sobre o que foi acordado na quinta-feira, o plano estratégico para a empresa, e alertou para algumas dúvidas ou incógnitas, como a “posição da Comissão Europeia sobre o processo”.

Além do mais, é preciso saber qual o papel que o Estado pode ter na definição de rota, para as regiões autónomas e países com ligações a Portugal.

Lembrando que foi um Governo PSD/CDS a privatizar a TAP, o deputado centrista afirmou: “Assim que possível, assim que houver condições, o Estado deve sair da empresa.”

(Notícia atualizada às 12h24 com mais informação)

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