“Connosco não haverá Bloco Central”, diz Costa

  • Lusa e ECO
  • 4 Julho 2020

O secretário-geral do PS criticou "joguinhos políticos" à esquerda e à direita dos socialistas.

O secretário-geral socialista garantiu este sábado que vai manter o rumo político e não haverá “Bloco Central” PS/PSD, frisando que recusa aceitar que a esquerda seja incapaz de se entender sobre uma visão comum para o país. António Costa defendeu que Portugal precisa de estabilidade, criticou “joguinhos políticos” à esquerda e à direita dos socialistas e afirmou que o seu partido não aproveitará boas sondagens para abrir uma crise política.

António Costa falava na abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, num discurso em que advertiu que “a guerra contra a pandemia da covid-19 não está ganha” e em que considerou que “este não é o momento para calculismos e taticismos”.

Numa alusão ao que se passou ao longo das negociações do Orçamento Suplementar para 2020, o secretário-geral do PS criticou “os joguinhos políticos à esquerda e à direita” do seu partido e disse mesmo que os socialistas “não irão aproveitar as boas sondagens para abrir uma crise política”.

No plano estratégico, António Costa procurou deixar uma mensagem clara destinada aos parceiros à sua esquerda no parlamento: “Connosco não haverá Bloco Central” PS/PSD.

De acordo com o líder socialista, perante várias propostas apresentadas no âmbito da especialidade do Orçamento Suplementar para 2020, “não foi o PS que votou ao lado do PSD, nem foi o PS que votou ao lado do CDS” – aqui numa alusão ao facto de os partidos à esquerda dos socialistas se terem juntado aos democratas-cristãos sobre a não devolução dos manuais escolares.

António Costa aproveitou então para frisar que o PS “continuará firme quanto à estratégia que aprovou em 2014 e não há nenhuma razão para a rever”. “Não altero a interpretação que fiz dos resultados eleitorais [de outubro passado] e reafirmo claramente o que disse no debate do Orçamento Suplementar. Disse que é obviamente com aqueles que têm construído uma alternativa à direta desde novembro de 2015 com quem contamos para vencer esta crise”, salientou.

Por isso, na preparação do Orçamento para 2021, mas também no horizonte desta legislatura, António Costa considerou “essencial uma estabilidade renovada que deve ser construída com o PCP, com o Bloco de Esquerda e PEV – e se o PAN e o Livre quiserem são bem-vindos”.

Mas o secretário-geral do PS foi ainda mais longe na série de avisos ao PCP e Bloco de Esquerda. “Recuso-me a aceitar que a esquerda só se consiga entender quando está em causa saber se os salários sobem mais isto ou mais aquilo, se vamos investir mais nisto ou naquilo em qualquer medida do Estado social, não sendo capaz de o fazer sobre uma visão comum para o país e sobre as bases de uma recuperação económica. Isso seria negar a confiança que muitos eleitores depositaram”, advogou.

António Costa advertiu igualmente para as consequências caso se abra uma crise política por desentendimento à esquerda. “Ninguém pense que o mandato que uns e outros receberam não foi o mesmo. As circunstâncias são diversas? Claro que são, já que subitamente fomos impactados por uma brutal crise inesperada de dimensão à escala global, mas isso não significa qualquer inversão do rumo ou marcha atrás”, insistiu.

Neste contexto, para afastar cenários de entendimentos à direita com o PSD, António Costa acentuou que não mudou de ideias desde o momento em que se candidatou ao cargo de secretário-geral do PS em 2014. “O Bloco Central não é a solução para a governação do país, porque o país precisa sempre de alternativas claras no campo democrático”, acrescentou.

(Notícia atualizada às 13h30)

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