Sucessor de Centeno no Eurogrupo é escolhido hoje. Espanhola Nadia Calviño está à frente na corrida ao cargo

Espanhola tem a favor a reputação em Bruxelas e o Eurogrupo nunca ter sido liderado por uma mulher. Por outro lado, tem contra o facto de Espanha já ter dois altos cargos da União Europeia.

O sucessor de Mário Centeno à frente do Eurogrupo deverá ser conhecido esta quinta-feira. Há três candidatos na corrida — pertencentes aos governos da Irlanda, de Espanha e do Luxemburgo –, sendo que Portugal apoia a candidatura de Nadia Calviño. Com o aval também dos gigantes França, Alemanha ou Itália, a espanhola é a preferida para o lugar.

Nadia Calviño é a vice-presidente do Governo espanhol, liderado por Pedro Sanchez. Chegou a ser um dos nomes indicados para a posição de diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), após a saída de Christine Lagarde para o Banco Central Europeu (BCE), mas acabou por ser Kristalina Georgieva a assumir o cargo. A espanhola continuou assim a ser ministra da Economia.

É também uma veterana em Bruxelas. Antes de ocupar o atual lugar, trabalhou 12 anos como técnica na Comissão Europeia, nomeadamente enquanto diretora-geral do departamento do Orçamento Europeu. A reputação e contactos que acumulou dentro das instituições europeias poderá ser um fator a favor na candidatura.

“Não é segredo que o governo alemão apoia Nadia Calviño”, afirmou a chanceler Angela Merkel recentemente numa entrevista a um consórcio de jornais, incluindo o The Guardian. A líder alemão apontou para outro fator a favor da espanhola: “Vejo sempre com agrado que uma mulher em cargos de liderança política e o Eurogrupo nunca foi liderado por uma mulher“.

Tal como a Alemanha, também Itália e Portugal já anunciaram o apoio à candidatura. “Temos de fazer uma concertação entre todos, mas, claro, Nadia Calvino tem todas as condições”, respondeu o primeiro-ministro português António Costa, no final do mês passado, quando questionado sobre a espanhola. Sublinhou que “seria muito importante que esse posto se mantivesse na família socialista”.

Por outro lado, Nadia Calviño tem contra o facto de Espanha já ter dois altos cargos da União Europeia: alto representante das Relações Externas, Josep Borrell, que também é vice-presidente da Comissão Europeia; e Luis de Guindo, que é vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Assim, não está fora de questão que o cargo vá para um dos outros dois candidatos. Paschal Donohoe é membro do governo da Irlanda desde 2014, tendo passado pelos transportes e turismo antes de chegar às finanças em 2016, sendo que a experiência é um dos principais pontos que tem a favor. Já Pierre Gramegna quer ser o segundo luxemburguês a presidir ao Eurogrupo, depois dos vários mandatos de Jean-Claude Juncker no início deste grupo informal da Zona Euro.

Para ser eleito, o candidato a presidente do Eurogrupo terá de contar com o apoio de pelo menos dez dos 19 países da Zona Euro. O vencedor será anunciado após o fim da votação desta quinta-feira.

O mandato do próximo presidente deverá começar a 13 de julho e será de dois anos e meio. Se nenhum dos candidatos receber dez votos, os candidatos terão a oportunidade de retirar a candidatura e a votação repete-se até que um dos candidatos consiga uma maioria simples.

Mário Centeno foi o primeiro português a presidir ao Eurogrupo, tendo cumprido o mandato de dois anos e meio, mas — ao contrário dos antecessores — decidiu não se recandidatar para continuar à frente do grupo informal dos ministros das Finanças da Zona Euro. Antes de se focar no próximo desafio, como governador do Banco de Portugal, o economista deixou um conselho ao sucessor: “manter sempre os ministros das finanças acordados” durante as reuniões, disse, numa entrevista à newsletter Brussels Playbook editada pelo Politico.

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