“Wirecard é exemplo de como más práticas ditam a destruição súbita”, diz presidente da CMVM

Presidente da portuguesa Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Gabriela Figueiredo Dias, comparou o caso da fintech alemã à falência do Lehman Brothers.

A fintech alemã Wirecard é um lembrete de que não é preciso olhar para o passado para ver os efeitos de más práticas de governo societário, segundo a presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Sem usar exemplos portugueses, Gabriela Figueiredo Dias alertou que o mercado de capitais nacional continua a padecer de fraca confiança dos investidores por causa de casos semelhantes.

O caso Wirecard é um exemplo como más práticas e condutas impróprias, juntamente com vulnerabilidades dos mecanismos de governance, vieram ditar a destruição súbita de uma empresa com perdas milionários para os investidores e outros stakeholders“, afirmou Gabriela Figueiredo Dias, numa conferência online sobre corporate governance organizada pela Euronext.

O problema da fintech surgiu com um buraco financeiro de quase dois mil milhões de euros nas contas da empresa. A auditora não conseguiu encontrar os fundos e recusou-se a assinar as contas. O montante representava cerca de um quarto do balanço da Wirecard e a informação disponível indicava que os fundos estariam no sistema financeiro das Filipinas, para facilitar a concretização de operações com outras empresas.

Contudo, as autoridades financeiras do país consideraram provável que esse dinheiro não exista ou sequer tenha entrado no sistema financeiro filipino. A própria empresa o reconheceu. O CEO, Markus Braun, não só se demitiu como já foi detido em Munique por suspeitas de manipulação de mercado e divulgação de demonstrações financeiras falsas. Além dos gestores, também a conduta do regulador financeiro alemão, o BaFin, está a ser alvo de avaliação depois de a Comissão Europeia ter aberto uma investigação formal.

“O caso Wirecard mostra que não precisamos de olhar para 2001 — o caso Enron — , para 2003 — o caso Parmalat — ou para 2008 — o caso Lehman Brothers — para perceber a relevância que o bom governano societário desempenhou e continua a desempenhar na sustentabilidade de velhos e novos modelos de negócio“, disse a presidente da CMVM.

Sobre Portugal, não especificou qualquer nome, mas sublinhou a importância do corporate governance para a retoma da confiança dos investidores no mercado financeiro nacional, que continua abalada pela crise. “O governo de sociedade não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para reforçar a confiança dos investidores”, acrescentou.

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