Defesa de Ricardo Salgado diz que acusação “falsifica” a história do BES

Equipa de Ricardo Salgado garante que ex-banqueiro "não desistirá de se defender e levará até às últimas consequências a sua defesa".

O Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal deduziu acusação contra 25 arguidos, no âmbito do processo principal do designado “Universo Espírito Santo”. Em reação, a defesa de Ricardo Salgado, acusado de associação criminosa e corrupção, diz que o antigo banqueiro “não praticou qualquer crime” e afirma que a acusação “falsifica” a história do Banco Espírito Santo (BES).

Os advogados Francisco Proença de Carvalho e Adriano Squilacce garantem que Salgado “não desistirá de se defender e levará até às últimas consequências a sua defesa”, em comunicado enviado às redações. A equipa argumenta que, “durante todo o inquérito, as provas foram escondidas do Dr. Ricardo Salgado” e que este “foi confrontado com infindáveis juízos de valor vagos e genéricos, em vez de ter sido confrontado com factos concretos”.

A defesa do ex-banqueiro aponta o dedo a Carlos Costa, reiterando que esta foi “uma acusação pré-anunciada desde o dia 3 de agosto de 2014”, quando o “Governador cessante do Banco de Portugal (BdP) anunciou a morte do BES (depois deste banco ter sido afundado em provisões ilegais) e proferiu a “sua sentença” para justificar o desastre da resolução, que, agora, está a condicionar a Justiça”. Aponta, assim, que o BdP “interveio neste inquérito-crime, em claro e manifesto conflito de interesses”.

A equipa defende que “a resolução do BES foi um erro colossal que causou e causa prejuízos inquantificáveis ao País”, sublinhando que os lesados são do BdP, “porque é indesmentível que, enquanto o Dr. Ricardo Salgado esteve no BES, os Clientes foram reembolsados em 1,5 mil milhões de euros de papel comercial só no 1º semestre de 2014”. “Enquanto o Dr. Ricardo Salgado esteve no BES, não houve lesados”, ressalvam.

Salgado “assume e assumirá a responsabilidade pelos atos que praticou, demonstrando que não praticou atos ilícitos, explicando as suas motivações e mostrando que sempre agiu de boa-fé naquilo que lhe parecia ser o melhor interesse do Banco que teve a honra de ajudar a reconstruir”, diz a defesa.

A equipa de advogados finaliza afirmando que “em face da dimensão e enorme complexidade do processo (grande parte dele ilegalmente “escondido” da Defesa até agora), espera-se que, depois de tantas e sucessivas prorrogações de prazo que foram concedidas ao Ministério Público para concluir o inquérito, seja também concedido à Defesa um prazo razoável e condições dignas para o exercício cabal dos seus direitos com igualdade em relação a quem agora o acusa”.

Com Salgado, foram acusadas mais de quatro dezenas de pessoas, entre os quais ex- administradores e gestores do Grupo Espírito Santo. São, no total, 18 pessoas singulares e 7 pessoas coletivas, nacionais e estrangeiras. Segundo a acusação, na lista de crimes estão burla qualificada, branqueamento de capitais, associação criminosa, falsificação de documentos, fraude no comércio internacional e desvio de fundos e corrupção ativa e passiva. A acusação diz ainda que estes alegados crimes podem ter contribuído para a derrocada do BES e do grupo Espírito Santo.

“A investigação levada a cabo e que termina com o despacho de acusação em referência apurou um valor superior a 11 mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos factos indiciados, valor que integra o produto de crimes e prejuízos com eles relacionados”, lê-se no comunicado da Procuradoria-Geral da República.

Veja o comunicado na íntegra:

(Notícia atualizada às 21h50)

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