26% das empresas em Portugal já despediram ou pretendem despedir

Mais de um quarto das empresas em Portugal revela que, durante o período de pandemia, já despediram colaboradores ou pretendem vir a fazê-lo.

O aumento do desemprego é uma das principais consequências económicas da pandemia de Covid-19. Mais de um quarto das empresas (26%), já despediram colaboradores ou pretendem vir a fazê-lo, revela o relatório “O Futuro da Economia Portuguesa: Preparar a retoma pós Covid-19”, promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP).

O estudo realizado pela Deloitte concluiu ainda que 73% das empresas inquiridas sofreram uma redução no seu volume de negócios, sendo que 31% registaram perdas superiores a 50%. Face a esta quebra abrupta de rendimentos, um quarto das empresas inquiridas no estudo recorreu ao lay-off, contra 65% não aderiu a este apoio, apesar de a grande maioria defender o instrumento (82%).

Apesar do cenário, 21% das empresas tenciona avançar com processos de recuperação, enquanto 6% vão avançar para a insolvência. Os setores do alojamento e restauração, e transportes e armazenagem foram os mais afetados pela pandemia e pelas medidas de confinamento impostas para travar a disseminação do vírus.

“A mitigação dos impactos da crise deverá ser consistente com a definição de uma nova visão de futuro para o país. Segundo o estudo da AEP, apesar da contração económica gerada pela crise da Covid-19, esta também deverá constituir uma oportunidade para aumentar os níveis de crescimento os próximos anos, se a fase de recuperação for devidamente alavancada”, explica Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, em comunicado.

Perante o impacto causado pela pandemia, o Governo disponibilizou várias medidas de resposta à crise. Porém, de acordo com o relatório da AEP, uma grande parte das empresas sublinha que não beneficiaram nem planeiam vir a beneficiar destas respostas. Cerca de 62% das empresas, considera que os programas de apoio do Estado estão aquém do necessário e apenas 20% defende que estão à altura das dificuldades das empresas.

Das medidas analisadas, a moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes, foi a que teve menor adesão, apenas 25,7% das empresas em Portugal recorreu ou planeia recorrer a este apoio. Já 29,1% das empresas afirma ter beneficiado ou planeia vir a beneficiar da medida de bonificação e garantias no acesso a novos créditos. Já a suspensão de pagamentos e obrigações fiscais e contributivas, foi a medida de resposta à crise que mais beneficiou as empresas, 33,7% de pequenas e médias empresas (PME) e 12,3% de grandes empresas.

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