Os números do primeiro grande negócio de Stilwell à frente da EDP

Aquisição vai permitir à elétrica duplicar a presença em Espanha, mas ainda precisa de aprovação regulatória. Conheça os pormenores do primeiro grande negócio de Stilwell à frente da EDP.

A EDP prepara-se para duplicar a presença em Espanha. Para isso, vai aumentar o capital em mil milhões de euros e comprar o negócio da eólica espanhola Viesgo. Incluindo dívida, a transação — que tem várias fases e espera ainda uma série de autorizações regulatórias — está avaliada em 2,7 mil milhões de euros.

São estes os grandes números do negócio:

565 milhões de euros

A primeira fase é a aquisição da espanhola Viesgo. A subsidiária da EDP para distribuição de eletricidade em Espanha, a E-Redes, vai comprar ao fundo Mcquarie as empresas de distribuição de eletricidade da Viesgo, Viesgo Distribution e Begasa por 565 milhões de euros. A EDP também irá adquirir as duas centrais de geração térmica da Viesgo no sul de Espanha.

1,1 milhões de euros

Como parte da transação, a EDP irá adquirir 100% do negócio renovável da Viesgo através da subsidiária EDP Renováveis. Este negócio é composto por 24 parques eólicos e duas centrais mini-hídricas localizadas em Espanha e Portugal, com capacidade instalada líquida total acima de 500 MW. Segundo a EDP, o montante de 565 milhões a ser pago à Viesgo pelo negócio renovável tem um rácio implícito de enterprise value sobre MW líquido de 1,1 milhões de euros.

75,1%

Assim, o negócio de renováveis fica do lado da EDP Renováveis, enquanto as redes e distribuição são fundidas com o negócio da EDP Espanha. A empresa que resulta desta fusão continuará a ser detida em 75,1% pela EDP, enquanto os restantes 24,9% são comprados pela Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA), em conjunto com os seus fundos.

Fonte: EDP

2,7 mil milhões de euros

Feitas as contas às várias fases, a transação da Viesgo acarreta um investimento líquido por parte da EDP de 900 milhões e resultará na consolidação pela EDP da dívida financeira líquida existente na Viesgo de 1,1 mil milhões. A MIRA irá investir um total de 700 milhões como parte da transação da Viesgo.

1.020 milhões de euros

Com o objetivo de financiar parcialmente o negócio, a EDP anunciou igualmente que vai realizar o primeiro aumento de capital desde 2004. Serão 1.020 milhões de euros em novas ações que poderão ser subscritas por acionistas ou investidores com direitos de subscrição. No aumento de capital, serão subscritas até um máximo de 309.143.297 novas ações da EDP, representativas de um total de aproximadamente 8,45% do capital social.

23%

O preço de subscrição por cada nova ação é de 3,30 euros, o que representa um desconto de 23% face ao preço de fecho das ações esta quinta-feira: 4,37 euros. Ainda não há data para a operação que teve luz verde do principal acionista e cuja sucesso será garantido pelos bancos.

3 de setembro

Enquanto o aumento de capital decorrer, a EDP não pode comunicar ao mercado nova informação que influencie a operação. Assim, a apresentação de resultados trimestrais foi adiada para dia 3 de setembro.

Final de 2020

Após a conclusão da transação, a EDP consolidará integralmente a Viesgo e terá representação maioritária no conselho de administração, com direito a nomear o chairman, o CEO e o CFO. A aquisição está, no entanto, sujeita ao cumprimento de uma série de condições, incluindo aprovações regulatórias e governamentais, bem como a reestruturação corporativa necessária. A empresa espera que a transação esteja concluída até ao final do ano 2020.

2 vezes

A EDP considera que este negócio vai reforçar o crescimento do grupo nos segmentos de renováveis e redes. E sublinha que irá resultar num crescimento para mais do dobro das atuais operações de distribuição de eletricidade em Espanha da EDP, através de licenças perpétuas com visibilidade regulatória total até 2025. A Viesgo é uma empresa que tem como base do negócio a geração e distribuição de eletricidade. Com quase 700.000 clientes no norte de Espanha e uma produção de cerca de 1.400 MW, dos quais a maioria provenientes de fontes limpas.

Fonte: EDP

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Os números do primeiro grande negócio de Stilwell à frente da EDP

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião