China Three Gorges tem de pagar 219 milhões para não perder poder na EDP

Maior acionista está presente no conselho de supervisão da elétrica que deu luz verde à operação, mas tem vindo a desinvestir na empresa pelo que não é certo que queira acompanhar o aumento de capital

A EDP vai pedir aos acionistas que reforcem o investimento, através de um aumento de capital de cerca de mil milhões de euros. Pouco mais de um ano após ter falhado uma oferta pública de aquisição, o maior acionista, a China Three Gorges terá de pagar 220 milhões de euros se não quiser ver a posição diluída.

A elétrica (interinamente) liderada por Miguel Stilwell d’Andrade anunciou, esta quarta-feira, que vai realizar um aumento de capital — o primeiro desde 2004 — de 1.020 milhões de euros para financiar a aquisição do negócio da Viesgo em Espanha.

A oferta pública de subscrição de 309.143.297 novas ações (aproximadamente 8,45% do capital) é reservada a acionistas e outros investidores que adquiram direitos de subscrição. O preço de subscrição por cada nova ação é de 3,30 euros, o que representa um desconto de 23% face ao preço de fecho das ações na última sessão antes do anúncio.

Se a China Three Gorges quiser manter a posição de 21,47% do capital terá de comprar quase 66,4 milhões de ações, o que implica um investimento de 219 milhões de euros. Mas não é certo que o queira fazer, já que a estratégia tem sido a contrária.

A operação de aumento de capital acontece um ano depois do fim da Oferta Pública de Aquisição (OPA), na qual a empresa detida pelo Estado chinês tentou ficar com a totalidade da elétrica. Desde disso, os acionistas chineses reduziram a posição para 21,47% (face aos anteriores 28,25%). Ainda assim, o gestor que está a substituir António Mexia, enquanto o mandato estiver judicialmente suspenso, sinalizou que (pelo menos) não haverá oposição da China Three Gorges ao aumento de capital.

Questionado numa conference call com analistas após o anúncio ao mercado sobre a perspetiva de subscrição, em especial pela China Three Gorges, o novo CEO Miguel Stilwell d’Andrade lembrou que não pode responder pelos acionistas, mas afirmou a CTG está presente no conselho de supervisão que já deu luz verde à operação. “Podem tirar daí as vossas conclusões”, disse aos analistas.

Quanto a outros acionistas, a maior percentagem de capital está dispersa entre investidores com posições minoritárias. Se todos os restantes acionistas na bolsa (que representam 52,33% do total) aumentarem a posição, poderão representar 533,87 milhões de euros do total da operação. A Oppidum Capital teria de investir 73,4 milhões de euros e a BlackRock cerca de 46 milhões. Os outros investidores com posições qualificadas têm de colocar entre 30 e 20 milhões de euros para não verem as posições diluídas no aumento de capital.

Mesmo que os acionistas não acompanhem a operação, o sucesso está garantido. Stilwell d’Andrade explicou que a EDP tem um acordo com um sindicato bancário para que subscrevam a totalidade das ações, caso a operação não tenha sucesso. BCP, JP Morgan, Morgan Stanley, BNP Paribas, Bank of America e Goldman Sachs são os underwriters.

Ainda não há, no entanto, data para a operação avançar. “A EDP tenciona iniciar a emissão de ações assim que seja possível, após receção da aprovação por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e publicação de um aviso para o exercício dos direitos de subscrição e de um prospeto, de acordo com a lei aplicável”, explicou a elétrica no comunicado enviado ao mercado na quarta-feira.

Após a entrada do pedido de avaliação do prospeto na CMVM, o supervisor tem dez dias úteis para responder, sendo que caso sejam necessárias mais informações este prazo é suspenso. Até à conclusão do aumento de capital, a EDP não irá apresentar resultados trimestrais ao mercado, tendo adiado a divulgação de contas do segundo trimestre do ano para o dia 3 de setembro. O CEO sinalizou, apesar disso, não esperar “surpresas” nesse campo.

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