Rui Rio quer Ministério Público a investigar vendas de imóveis do Novo Banco

Rui Rio voltou a questionar o Governo sobre o Novo Banco, acusando-o de entregar milhões de euros dos impostos dos portugueses sem verificar a "justeza desses pagamentos e a razoabilidade das perdas".

Rui Rio quer que o Ministério Público se “debruce” sobre a forma como o contrato de venda do Novo Banco ao Lone Star, em 2017, está a ser executado, nomeadamente em relação à venda de um lote de imóveis que levantou a suspeita por ter sido feita a um fundo de investimento com ligações recentes ao presidente do conselho geral de supervisão do banco.

Esta operação em causa, segundo adiantou o Público (acesso pago) no início do mês, gerou perdas de milhões de euros que foram cobertas pelo Fundo de Resolução, com recurso a um empréstimo do Estado. Até ser nomeado chairman do Novo Banco, Byron Haynes liderou um banco detido pelo fundo Cereberus, a quem o banco português vendeu 200 imóveis com uma perda de 328 milhões de euros. Seguiu-se uma queixa à autoridade europeia (ESMA) com a denúncia de “gestão ruinosa” e “conflito de interesses”.

“Ainda que esta transação possa ser vir a ser considerada formalmente legal, ela é eticamente muito questionável e carece de pormenorizado esclarecimento. Aliás, também não se entende, por que razão o Novo Banco agrupa em lotes gigantescos os imóveis que pretende alienar, restringindo a procura e reforçando, assim, o peso negocial dos potenciais compradores”, referiu o presidente do PSD esta sexta-feira no debate sobre o Estado da Nação.

“Tudo isto que temos visto e ouvido é já suficiente para que o Ministério Público se possa debruçar sobre a forma como este contrato de venda do Novo Banco à Lone Star tem vindo a ser executado”, acrescentou Rui Rio.

"Tudo isto que temos visto e ouvido é já suficiente para que o Ministério Público se possa debruçar sobre a forma como este contrato de venda do Novo Banco à Lone Star tem vindo a ser executado.”

Rui Rio

Presidente do PSD

Neste sentido, Rio acusou o Governo de entregar “recorrentemente milhões de euros dos nossos impostos” ao Novo Banco “sem cuidar de analisar ao pormenor a justeza desses pagamentos e a razoabilidade das perdas invocadas”.

E ironizou: “O Novo Banco deve ter sido o único proprietário em Portugal que, nos anos imediatamente anteriores à pandemia, vendeu imóveis a perder dinheiro”.

Esta sexta-feira, em entrevista ao Jornal Económico (acesso pago), o chairman do Novo Banco disse ser “inadmissível” ter a sua independência questionada. Confirma que foi CEO do BAWAG P.S.K, mas que nunca mais teve qualquer contacto com o Cerberus desde que saiu.

“O Novo Banco, os reguladores e eu não temos conhecimento, nem fomos informados, sobre nenhuma queixa submetida à ESMA, tal como foi publicado no Público há umas semanas — a qualidade do jornalismo teria sido boa se tivessem conseguido soletrar corretamente o nome deste banco e o meu. Eu sou um chairman independente e fui nomeado em outubro de 2017 e passei no fit & proper, que foi aprovado pelo BCE e pelo Banco de Portugal”, afirmou Byron Haynes.

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