Águas de Portugal investe 370 milhões em energia limpa. Vai ter eólicas, solar flutuante e hidrogénio verde

A empresa quer também produzir hidrogénio verde e o seu projeto foi um dos 37 já selecionados pelo Governo. Serão 20 eletrolisadores com um investimento de cerca de 21 milhões .

O Grupo Águas de Portugal quer ser neutro em carbono e energeticamente autossustentável através de energia 100% renovável até 2030. Para isso, vai investir 370 milhões de euros num projeto a 10 anos que visa não só reduzir os consumos energéticos como também aumentar a produção própria de energia a partir de fontes limpas: biogás, eólica, hídrica e solar fotovoltaico, incluindo solar flutuante. O objetivo é atingir a neutralidade energética e carbónica em todas as atividades nacionais e internacionais no espaço de uma década.

Além disso, permitirá passar de uma fatura de eletricidade atual de cerca de 65 milhões de euros por ano, para apenas 25 milhões de euros, graças à produção própria de energia e redução dos consumos, revelou o vice-presidente da empresa, José Sardinha, em declarações ao ECO/Capital Verde.

Este mega projeto não deixa de lado a aposta do momento e inclui também planos para produzir hidrogénio ver a partir da significativa capacidade renovável que vai acrescentar ao seu portfólio: dos atuais 30,4 GWh para 708 GWh por ano, ou seja cerca de “25 vezes mais”.

Na sessão de apresentação do projeto, o presidente do conselho de administração do Grupo Águas de Portugal, José Furtado, anunciou que o projeto da empresa para o hidrogénio verde foi um dos 37 selecionados pelo Governo para passar à fase seguinte e vir a integrar a candidatura portuguesa ao estatuto IPCEI junto de Bruxelas. Serão 20 eletrolisadores ao todo, com um investimento de cerca de 21 milhões de euros.

O grupo tem já em marcha vários projetos para produzir hidrogénio a partir de um mix energético que inclui fonte solar, eólica onshore, hídrica e biogás. O responsável anunciou também a criação de uma comunidade de energia no seio do Grupo Águas de Portugal, que permitirá transações de energia entre pontos de consumo dos membros da comunidade, com apoio a populações desfavorecidas.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, frisou que o Grupo Águas de Portugal é o “maior consumidor público de eletricidade de Portugal, abastecendo 80% dos portugueses”, daí que seja “fundamental que este esforço seja feito” para atingir a auto-suficiência energética e assim “reduzir bastante o preço pago da eletricidade que consome”. O governante destacou ainda a dimensão nacional do projeto — “de Bragança a Vila Real de Santo António” — e a “pluralidade das fontes energéticas abrangidas pelo projeto”.

“Precisamos de investimento que crie riqueza já, mas a olhar para o longo prazo, e em todo o país. O Grupo Águas de Portugal aceitou o mais recente desafio do hidrogénio, num projeto diferente de todos os outros: usar o hidrogénio para produzir reagentes (como o cloro) usados para tratar água. Significa que o hidrogénio pode ser relevante para a indústria, com aplicações muito para além do imaginado“, disse o ministro, garantindo que o investimento que está na calha “pode ser financiado por fundos europeus.

48 novas turbinas eólicas e solar flutuante em 25 barragens

Com gastos energéticos superiores a 725,1 GWh por ano, em 2019 — mais de 1,4% do consumo de energia elétrica no país –, o Grupo AdP é hoje o maior consumidor público de energia elétrica em Portugal. Através do Programa de Neutralidade Energética ZERO, a empresa espera neutralizar o equivalente a 746 GWh — consumo energético estimado para 2030 –, o que representa uma neutralidade energética de 105,3%, bem como uma neutralidade carbónica equivalente.

A nível energético, este projeto prevê uma produção de cerca de 708 GWh/ano com recurso aos “recursos disponíveis nas instalações das empresas do Grupo Águas de Portugal”: biogás, eólica, hídrica e solar fotovoltaico, incluindo solar flutuante.

Com 292 milhões de investimento só na produção de energia, destaque para a instalação de 48 turbinas que produzirão 115,9 GWh/ano, e para a instalação de painéis solares flutuantes em 25 albufeiras, produzindo um valor médio de 125 GWh/ano. No solar fotovoltaico está assim previsto um “crescimento exponencial na produção” — de 4,1 GWh para cerca de 478 GWh –, com a instalação de centrais que produzirão um valor médio de 353 GWh/ano no primeiro ano de exploração. Aliás, a produção de energia a partir do solar representará 70% do aumento da produção total de energia prevista no Programa ZERO.

No biogás está previsto um crescimento de 48,3 GWh/ano (+163,2% face a 2019), e na energia hídrica o aumento da produção será obtido através da instalação de 38 hídricas com uma potência total de 6,9 MW, estimando uma produção de 45,0 GWh/ano (face aos 90,5 MWh produzidos em 2018).

Para aumentar a eficiência energética, o Grupo vai investir 39,6 milhões de euros para reduzir até ao final de 2024 o consumo de 35,6 GWh/ano nas atividades de abastecimento de água (tratamento e bombagem de água para consumo humano), correspondendo a uma redução de 8,5% dos consumos atuais. No saneamento de águas residuais a poupança estimada é superior a 13%, num valor próximo dos 37,8 GWh/ano.

A atividade de abastecimento de água consome cerca de 60% do consumo total de energia do Grupo AdP – 410,3 GWh/ano no ano de 2018 -, enquanto o saneamento de águas residuais, com uma fatia de 40%, consumiu, no ano de 2018, cerca de 284,0 GWh/ano. O projeto inclui também a neutralidade resultante do consumo de combustíveis – 765 GWh.

“A nível ambiental, em 2030 o programa ZERO permitirá eliminar cerca de 205 toneladas/ano de emissões de CO2, representando uma poupança, para Portugal, de cerca de 5,3 milhões de euros por ano (a preços atuais)”, estima do Grupo AdP. A apresentação do Programa de Neutralidade Energética ZERO foi feita esta quarta-feira, numa sessão com a presença do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, da secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, e do secretário da Energia, João Galamba.

O programa ZERO surge na sequência do projeto EPAL 0% que permitirá atingir a neutralidade energética e de emissões no ano 2025, através da construção de centrais de produção de energia hidroelétrica nas suas condutas de água, mas também eólica e fotovoltaica, tendo-se já adjudicado a construção da primeira central hidroelétrica para aproveitar a energia gerada pela água tratada na ETA da Asseiceira, que se tornará na maior ETA do país 100% autossustentável em energia.

(Notícia atualizada)

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